quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sentidos...sensações...irracionalidade...racionalidade...

Que título mais estúpido para um post, não? Até pode ser estúpido mas traduz um pouco aquilo que vou escrever.
"Sentidos"...eis a primeira palavra que escrevi, talvez por sentir vontade de falar um pouco sobre a visão, o olfacto e a audição em especial. Não se preocupem que não tenho intenção de vos contar a história da carochinha e dizer-vos o que cada um dos sentidos é, vocês já estão fartos de saber. Sempre olhei para os sentidos como um dado adquirido, sabia que os tinha mas nunca reflecti muito sobre isso. Vejo, cheiro e ouço sem pensar...e sempre julguei que é nessa irracionalidade que reside o encanto destas acções sensoriais. Quando vemos, cheiramos e ouvimos não pensamos porque o fazemos mas antes admiramos uma imagem, apreciamos um aroma ou criticamos(no sentido construtivo) uma música e todas essas sensações despertam-nos um sentimento: agrado ou desagrado.
No entanto, ultimamente, devido à Anatomia e à Fisiologia (esses dois diabos de qualquer estudante da área da saúde), tenho estudado a anatomia morfológica e funcional destes três sentidos. São sistemas de grande complexidade e perfeição...e não deixa de ser estranho dar-lhes uma base racional e gnosiológica quando estão na origem de sensações, de algo irracional. Em conversa com um amigo em relação ao facto de eu ter de estudar estes sistemas, ele disse-me que tudo perdia um certo encanto porque se trata de sensações que estão de certa forma mistificadas e que deveriam ficar fechadas numa espécie de "Caixa de Pandora". Não que ele achasse que os sistemas sensoriais não devessem ser estudados mas que perferia saber que vê, cheira e ouve e não perceber porquê...não queria manchar o gosto da sensação e do sentimento que esses estímulos lhe provocam com a racionalidade de todo o processo que ali ocorre. Por um lado percebo. Mas prefiro discordar com ele. É certo que as sensações provocam-nos sentimentos que nada têm a ver com a racionalidade ou então que não deveriam ser contaminados por esta, mas também é certo que a perfeição morfológica e fisiológica destes sistemas confere-lhes um certo lirismo, uma certa poesia de acontecimentos que se vão gerando sucessivamente desde a aquisição do estímulo ao seu processamento e por fim à produção de uma resposta, como se a racionalidade atingisse contornos que vão ser a tela onde a sensação é pintada e o sentimento gerado. Não creio que esse conhecimento vá retirar a magia à imagem de um olhar, de um sorriso, dos contornos de um corpo que nos apaixona, que vá retirar a magia ao aroma da urze que me remonta sempre até à Peneda (Gerês) e me faz reviver alguns dos momentos mais intensos da minha curta história, que vá retirar a magia ao som de uma música na qual reescrevo uma página do meu livro, da minha vida...não creio. A magia da pintura de sensações que estes estímulos sensoriais criam permanece, e cresce algum (porque ainda sei muito pouco, muito pouco mesmo) conhecimento da tela, do pincel e das tintas que estão na base dessa obra prima...aí sim, a sensação fica completa porque por mais que nos custe a aceitar, qualquer sensação tem de ter um suporte físico.
Acho que é dos poucos exemplos em que os sentidos, sensações, irracionalidade e racionalidade conseguem coabitar "pacificamente".

2 comentários:

Sergio Figueiredo disse...

Acredito que, pelo contrário, o estudo e conhecimento das coisas aumenta o grau de magia. Repara que podes encarar a audição como algo que já lá estava (visão inocente) ou, muito melhor, como um fantástico sistema de engenharía aperfeiçoado após milhões de anos. Como algo que ainda não conseguimos reproduzir na essência. E acreditar que um sistema tão perfeito se foi formando pelo acaso das probabilidades parece estranho, tão estranho que um agnóstico como eu cai por vezes numa lógica religiosa - "o acaso não faz disto!".

be disse...

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