segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ainda bem...

Depois de jantar, sentei-me um pouco na sala e estive a ver uma reportagem na SIC sobre instituições que prestam apoio a pessoas portadoras de deficiência no sentido de as auxiliar no desenvolvimento biopsicossocial com vista à sua integração no meio social. Esse trabalho de intervenção no desenvolvimento é feito por uma equipa multidisciplinar que engloba profissionais da área da saúde e não só, que integra fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, psicólogos entre outros...
Pus-me a pensar no trabalho desses profissionais...ainda bem que eles existem. Como estudante de Medicina olho para aquilo que tem sido o meu percurso académico e para aquilo que ainda vou ter de percorrer e não consigo deixar de ver uma certa falta de humanismo no mesmo. Os médicos são viciados na etiologia da doença, ou seja na sua causa orgânica e fisiológica...são viciados na anatomia, na bioquímica, na fisiologia, na farmacologia, na imunologia e tendem a "mecanizar" um corpo que para além de ser uma máquina é também uma individualidade, uma alma nele patente, um sopro de vida...são viciados na semiologia, nas técnicas de diagnóstico e tornam-se verdadeiros ficheiros audio que repetem constantemente: "O sr. tem isto...vou receitar-lhe isto...e se isto não melhorar volte daqui a uns dias." Parecem verdadeiros mecânicos que se preocupam exclusivamente em tratar da máquina. Acontece por vezes, que mesmo depois de reparada, a máquina não funciona perfeitamente ou então sofreu um acidente que lhe retira algumas capacidades sejam elas motoras ou mentais e nessa altura o médico age como se não houvesse nada mais a fazer. É neste momento que entram os profissionais de que vos falei ao início...são esses profissionais que, aliados a um certo conhecimento clínico, desenvolvem, através de enorme criatividade, formas de intervenção que permitem dotar os doentes de mecanismos de adaptação ao meio. São esses profissionais que partilham o dia de luta com o deficiente, que partilham sorrisos, que partilham lágrimas...são esses profissionais que os reeducam, que lhes conseguem devolver alguma da "vida" que possuíam...
A fronteira entre a ciência e a arte é muito ténue...e porque não olhar para a ciência como uma arte? Eu vejo arte nestes profissionais, uma arte humana, não de curar mas de dar, de ensinar a reexplorar o mundo, uma arte que devolve vida.
Com isto não quero menosprezar o papel dos médicos até proque estão na linha da frente da detecção da doença e na prestação de cuidados, mas sim enaltecer a importância que fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e muitos outros profissionais da saúde têm na promoção da saúde do deficiente e também no acompanhamento da sua luta diária. Por vezes olho para mim, futuro médico, como um simples mecânico viciado na doença e na sua origem, esquecendo a alma e a individualidade que habita a "máquina que manipulo" e olho para os profissionais da saúde que tenho referido como os verdadeiros médicos: Ainda bem que vocês existem!

4 comentários:

Filipe_des disse...

é gil, cabe-te a ti agora seres diferente dos outros médicos, cabe-te a ti lembras-te todos os dias que podes fazer uma pessoa sentir-se mto melhor tb com uma ajuda psicológica e não só com a esperada receita médica.

é verdade que existem pessoas e pessoas, e principalmente os médicos, tomam e têm que tomar valor de juízos que não faz parte da profissão de médico mas que faz parte da vida do médico. eu acho que nos deixamos levar pelo profissionalismo e esquecemos mtas vezes a pessoa que somos ou que gostaríamos que fosse. cabe a nós mudar isso e se dedicar-mos um minuto nisso, se calhar até podemos ter um mundinho melhor!

força a todos os profissionais de saúde. desde o chefão lá da zona, ao sr que limpa os caixotes do lixo.

e um grande abraço para ti.
és grande como pessoa. hás-de ser um grande médico! e se possível o me médico! lol

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Cátia disse...

e tu de certeza q vais dominar a arte de ser um bom medico! (: *

Diana disse...

Cada um com suas funções... e as do médico são tão importantes como as dos outros profissionais de que falas. É o médico que reanima, que medica, que estabiliza, que prende o doente a este lado da vida e o faz chegar em boas condições às mãos dos outros profissionais... é o médico que orienta estes profissionais e que percebe exactamente o verdadeiro grau de incapacidade do doente. O facto de não participarem activamente no processo de reabilitação não fza deles profissionais frios ou pouco humanos... faz deles profissionais que cumprem o seu dever, a sua função. Agora se me falas de médicos que, nestas funções, na consulta, não olham para o doente e o tratam com 5 pedras na mão... aí a história é outra. Maus profissionais, infelizmente, há em todo o lado! Mas quero acreditar que há muitos que ão são assim!
Obviamente que a mim, como futura profissional de terapêutica, me diz muito mais este trabalho de reabilitação e integração de que falas... porque essa será (é) a minha função! E também aqui há maus profissionais, tal como nas outras profissões! Por isso, e assim concluo que o texto já vai avançado, estamos ali todos pelo mesmo: a pessoa, o doente. E todos damos o nosso contributo e ele só faz sentido em conjunto! E aqui incluo, como o Filipe disse e muito bem, não só médicos e terapeutas, mas também enfermeiros (sim, eu a falar bem de maqueiros!), auxiliares e empregados da limpeza... porque sem eles também nada funcionaria.
Tenho dito :p
***

Anónimo disse...

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