sexta-feira, dezembro 22, 2006

...Adeus...

Adeus, Não Afastes Os Teus Olhos Dos Meus


Quando dormes
E te esqueces
O que ves
Tu quem és
Quando eu voltar
O que vais dizer?
Vou sentar no meu lugar


Adeus
Nao afastes os teus olhos dos meus
Isolar para sempre este tempo
É tudo o que tenho para dar

Quando acordas
Porque quem chamas tu?
Vou esperar
Eu vou ficar
Nos teus braços
Eu vou conseguir fixar
O teu ar
A tua surpresa


Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Eu vou agarrar este tempo
E nunca mais largar


Adeus
Não afastes os teus braços dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou, vou conseguir para-lo
Vou conseguir para-lo
Vou conseguir


Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou conseguir para-lo
Eu vou conseguir guarda-lo
Eu vou conseguir ficar


David Fonseca


E eu não tenho coragem para dizer "Adeus"...
Quanto ao concerto no Hard Club: delicioso!
(O título do post tem reticências antes porque já havia um título assim uns posts atrás...foi para ficar diferente...)

domingo, dezembro 17, 2006

Humanos

Depois de ver na TV um pouco do grande concerto que deram no Coliseu dos Recreios, afirmo sem qualquer dúvida que foi um dos melhores projectos da música portugesa. Um projecto "do outro mundo" feito por Humanos! (belo trocadilho...ou então não)

A culpa é da vontade ( António Variações)


A culpa não, não é do Sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa não, não é do Sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te abraçar


A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te sentir

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade

A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te ver

A culpa não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa não, não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa é do lamento
Que suporta o meu cantar

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade
A culpa é da vontade

E fica o arrependimento atroz de não ter ido ao concerto no Coliseu do Porto por um exame nacional de Psicologia, que nem sequer era específica, um dia a seguir. Já era idade para eu ter juízo, enfim...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sentidos...sensações...irracionalidade...racionalidade...

Que título mais estúpido para um post, não? Até pode ser estúpido mas traduz um pouco aquilo que vou escrever.
"Sentidos"...eis a primeira palavra que escrevi, talvez por sentir vontade de falar um pouco sobre a visão, o olfacto e a audição em especial. Não se preocupem que não tenho intenção de vos contar a história da carochinha e dizer-vos o que cada um dos sentidos é, vocês já estão fartos de saber. Sempre olhei para os sentidos como um dado adquirido, sabia que os tinha mas nunca reflecti muito sobre isso. Vejo, cheiro e ouço sem pensar...e sempre julguei que é nessa irracionalidade que reside o encanto destas acções sensoriais. Quando vemos, cheiramos e ouvimos não pensamos porque o fazemos mas antes admiramos uma imagem, apreciamos um aroma ou criticamos(no sentido construtivo) uma música e todas essas sensações despertam-nos um sentimento: agrado ou desagrado.
No entanto, ultimamente, devido à Anatomia e à Fisiologia (esses dois diabos de qualquer estudante da área da saúde), tenho estudado a anatomia morfológica e funcional destes três sentidos. São sistemas de grande complexidade e perfeição...e não deixa de ser estranho dar-lhes uma base racional e gnosiológica quando estão na origem de sensações, de algo irracional. Em conversa com um amigo em relação ao facto de eu ter de estudar estes sistemas, ele disse-me que tudo perdia um certo encanto porque se trata de sensações que estão de certa forma mistificadas e que deveriam ficar fechadas numa espécie de "Caixa de Pandora". Não que ele achasse que os sistemas sensoriais não devessem ser estudados mas que perferia saber que vê, cheira e ouve e não perceber porquê...não queria manchar o gosto da sensação e do sentimento que esses estímulos lhe provocam com a racionalidade de todo o processo que ali ocorre. Por um lado percebo. Mas prefiro discordar com ele. É certo que as sensações provocam-nos sentimentos que nada têm a ver com a racionalidade ou então que não deveriam ser contaminados por esta, mas também é certo que a perfeição morfológica e fisiológica destes sistemas confere-lhes um certo lirismo, uma certa poesia de acontecimentos que se vão gerando sucessivamente desde a aquisição do estímulo ao seu processamento e por fim à produção de uma resposta, como se a racionalidade atingisse contornos que vão ser a tela onde a sensação é pintada e o sentimento gerado. Não creio que esse conhecimento vá retirar a magia à imagem de um olhar, de um sorriso, dos contornos de um corpo que nos apaixona, que vá retirar a magia ao aroma da urze que me remonta sempre até à Peneda (Gerês) e me faz reviver alguns dos momentos mais intensos da minha curta história, que vá retirar a magia ao som de uma música na qual reescrevo uma página do meu livro, da minha vida...não creio. A magia da pintura de sensações que estes estímulos sensoriais criam permanece, e cresce algum (porque ainda sei muito pouco, muito pouco mesmo) conhecimento da tela, do pincel e das tintas que estão na base dessa obra prima...aí sim, a sensação fica completa porque por mais que nos custe a aceitar, qualquer sensação tem de ter um suporte físico.
Acho que é dos poucos exemplos em que os sentidos, sensações, irracionalidade e racionalidade conseguem coabitar "pacificamente".

segunda-feira, dezembro 11, 2006

"Serendipity"

Filme delicioso...

domingo, dezembro 10, 2006

Momento especial...

Depois de duas semanas de ensaios diários e muito cansativos...chegou o grande dia!
O Coral de Biomédicas (do qual orgulhosamente faço parte), juntamente com o Coro de Crianças e Adultos do CPO e com a orquestra da escola de música ARTAVE, interpretou a obra "Missa das Crianças" de John Rutter na Casa da Música.
Foi intenso.
Talvez as palavras do nosso maestro, Sérgio Ferreira, após o término do ensaio geral, ajudem a perceber um pouco o significado que este espectáculo teve para nós: "Vocês não são o melhor coro do mundo mas lembrem-se que hoje, dia 10 de Dezembro, serão os únicos que estarão a interpretar esta obra e logo neste espaço. Cantem para quem estiver presente e cantem para vocês também. Que seja um momento especial e divirtam-se!"
E não é que foi mesmo especial?
Obrigado a todos os que estiveram presentes, espero que tenham gostado!
(Brevemente haverá fotografias)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Num dia de chuva à procura de um pouco de sol...

Que dia longo...acabei de chegar a casa...
Sabem aqueles momentos em que nos entra uma música na cabeça e lá permanece horas e horas? Por vezes é a música mais irritante que possamos conhecer, outras vezes a primeira música que ouvimos pela manhã...entre outras hipóteses.
Hoje de manhã, a caminho da faculdade, reparei que o "director" do jornal "O Metro" era o David Fonseca...o tempo estava chuvoso e eu à espera que aquela chuva desse tréguas, pelo menos 10min, só o tempo de chegar ao ICBAS. Talvez por o ter visto no jornal e com toda aquela chuva, comecei com um desses momentos musicais...sucede-se que essa música acompanhou-me para o resto do dia, não que tivesse a ver com o estado do tempo...até podia ter, mas não. E da mesma forma que se procura sempre um pouco de sol num dia de chuva para podermos dar uma escapadela, acredito que todos nós balanceamos um pouco entre a "chuva" e o "Sol" e procuramos incessantemente resolver essa ambivalência...
Foi bom ter esta música no ouvido.

My Sunshine And My Rain

Your fingers taste like magnets
They suck on my tongue
Begging for forgiveness

And you rise up your defenses
By hunting down my flaws
Searching where it weakens

And you're crazy when you think
That I will let you in
My sunshine and my rain
The thoughts I hide away
From all the world to see

You threaten me with curses
Throw black cats to my face
But I'm not supersticious

Like you could know someone
By knowing what they've done
But no one is that simple

And you're crazy when you think
That I will let you in
My sunshine and my rain
The thoughts I hide away
From all the world to see

And you're fool enough to hope
That you could ever really know
My sunshine and my rain
The thoughts I hide
From all the world to see
No you just can't take that from me

No you just can't take that from me

David Fonseca

Eu sei que isto não tem interesse nenhum para vocês...mas acabei de chegar a casa e foi uma forma de "desrotinar" um pouco, partilhar com vocês algo do meu dia.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ainda bem...

Depois de jantar, sentei-me um pouco na sala e estive a ver uma reportagem na SIC sobre instituições que prestam apoio a pessoas portadoras de deficiência no sentido de as auxiliar no desenvolvimento biopsicossocial com vista à sua integração no meio social. Esse trabalho de intervenção no desenvolvimento é feito por uma equipa multidisciplinar que engloba profissionais da área da saúde e não só, que integra fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, psicólogos entre outros...
Pus-me a pensar no trabalho desses profissionais...ainda bem que eles existem. Como estudante de Medicina olho para aquilo que tem sido o meu percurso académico e para aquilo que ainda vou ter de percorrer e não consigo deixar de ver uma certa falta de humanismo no mesmo. Os médicos são viciados na etiologia da doença, ou seja na sua causa orgânica e fisiológica...são viciados na anatomia, na bioquímica, na fisiologia, na farmacologia, na imunologia e tendem a "mecanizar" um corpo que para além de ser uma máquina é também uma individualidade, uma alma nele patente, um sopro de vida...são viciados na semiologia, nas técnicas de diagnóstico e tornam-se verdadeiros ficheiros audio que repetem constantemente: "O sr. tem isto...vou receitar-lhe isto...e se isto não melhorar volte daqui a uns dias." Parecem verdadeiros mecânicos que se preocupam exclusivamente em tratar da máquina. Acontece por vezes, que mesmo depois de reparada, a máquina não funciona perfeitamente ou então sofreu um acidente que lhe retira algumas capacidades sejam elas motoras ou mentais e nessa altura o médico age como se não houvesse nada mais a fazer. É neste momento que entram os profissionais de que vos falei ao início...são esses profissionais que, aliados a um certo conhecimento clínico, desenvolvem, através de enorme criatividade, formas de intervenção que permitem dotar os doentes de mecanismos de adaptação ao meio. São esses profissionais que partilham o dia de luta com o deficiente, que partilham sorrisos, que partilham lágrimas...são esses profissionais que os reeducam, que lhes conseguem devolver alguma da "vida" que possuíam...
A fronteira entre a ciência e a arte é muito ténue...e porque não olhar para a ciência como uma arte? Eu vejo arte nestes profissionais, uma arte humana, não de curar mas de dar, de ensinar a reexplorar o mundo, uma arte que devolve vida.
Com isto não quero menosprezar o papel dos médicos até proque estão na linha da frente da detecção da doença e na prestação de cuidados, mas sim enaltecer a importância que fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e muitos outros profissionais da saúde têm na promoção da saúde do deficiente e também no acompanhamento da sua luta diária. Por vezes olho para mim, futuro médico, como um simples mecânico viciado na doença e na sua origem, esquecendo a alma e a individualidade que habita a "máquina que manipulo" e olho para os profissionais da saúde que tenho referido como os verdadeiros médicos: Ainda bem que vocês existem!

domingo, dezembro 03, 2006

Parabéns Mana!

Acabei de te telefonar e disseste:"Há 26 anos nasceu uma gaja que haveria de mudar o teu mundo!"
E tens razão...somos pessoas muito diferentes, com feitios muito diferentes mas é curioso ver a forma como me influenciaste e como parte de mim a ti pertence. Costumo dizer que os pais me amaram e educaram mas foste tu que me fizeste crescer, foste tu que adubaste o terreno onde cresci...
Gostava de conseguir ser forte como tu, de ser determinado como tu, de ser corajoso como tu...e obrigada por teres "mudado o meu mundo"!
Que tenhas um dia muito feliz!