sexta-feira, outubro 27, 2006

Surpresa...

Cada dia é, sem dúvida, uma caixinha de surpresas...e os melhores momentos do dia são aqueles simples, imprevisíveis e capazes de nos provocar um leve sorriso que nos contagia nas horas seguintes.
Acabei de ter um desses momentos...cheguei da piscina e cansado sentei-me no sofá...ligo a televisão e deparo-me com esta linda mulher, com uma doce voz a cantar um poema assim:

Plágio

Talvez um dia se acabe
Esta loucura que arde
E faz arder loucamente
O dia por acabar

Talvez um dia se vá
A doce melancolia
Eterna a terna magia
Do beijo por esperar

Talvez um dia
Porém...
Até que a morte separe
Juro o verso que roubei*

Que a chama dure, perdure,
Na verdade que sonhei
E sonho acorde seguro
Da noite em que te encontrei

Olho-te, Quero-te, Tenho-te, Amo-te,
Enrolo-te, Devoro-te, Juro-te, Adoro-te,
Jogo-te, Ganho-te, Ganho-te, Exploro-te,
Jogo-te, Perco-te, Perco-te, Choro-te.

*"Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure"

Maria de Vasconcelos

Simplesmente...delicioso...

(O "Blogger", esse indivíduo que nos deixa escrever estas coisas, hoje, decidiu fazer birra e portanto não me deixou colocar aqui uma foto da Maria...a todos os elementos do sexo masculino: "Temos pena...")

quarta-feira, outubro 25, 2006

Momento do dia...

Por volta das 16:30, quando regressava a casa da faculdade (já em Matosinhos), para variar um bocadinho, o céu estava carregado, negro e eu , com "cagufes" (há muito tempo que não utilizava este palavra, que nostálgico!) de não chegar a tempo a casa e ficar ensopado com a hipotética carga de água que ameaçava cair, só desejava que o céu adiasse, por mais uns minutos, a "incontinência urinária" que o tem afectado ultimamente. E assim foi...
No momento que entro em casa, começo a ouvir a chuva no telhado do prédio...dirigi-me à varanda e... o céu desfez-se em água e aquele tom carregado deu lugar a um céu "aliviado", com pequenos raios de Sol a escaparem-se timidamente entre as nuvens, tornando o mar cor de prata, e ao longe um enorme arco-íris que, em terra, competia com a beleza do mar espelhado. Foi bom chegar a casa e receber um "sorriso" da única coisa que nos acompanha todos os momentos da nossa vida...o mundo que nos rodeia...ao qual muita gente chama: Natureza.
Sem dúvida, o melhor momento de "desrotinanço" do meu dia!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Frase do dia...

"A felicidade não está no sexo, mas sim na intimidade."
Encontrei esta frase no blog de um famoso locutor de rádio, o Pedro Ribeiro, e confesso que nela fiquei a pensar, não por achar que me deu uma lição mas por reforçar ainda mais o que penso e sinto, nesta fase da minha vida.
Estar sozinho não é o fim do mundo. No entanto custa quando temos a convicção de que somos mais fortes e felizes quando temos alguém que nos completa. Em tempos fui forte e muito feliz, muito mesmo, e vocês não podem imaginar quanto. Sinto falta dessa tempo...uma espécie de vazio que me faz sentir a 60%. Estarei a ser justo comigo? Talvez não e por isso o mais acertado é nem sequer entrar por esse tipo de quantificação, não é algo mensurável e sinto que sou muito mais coerente se apenas permanecer na ideia de que realmente me sinto incompleto.
Agora vocês perguntam acerca do que me faz sentir assim e eu digo que a resposta está na frase com que iniciei este desabafo.
Não é da relação carnal, física (como lhe queiram chamar) de que sinto falta. Mas sim da intimidade inerente à relação, a intimidade que por vezes nos faz falar em "nós" (digo "por vezes" porque estaria a ser imaturo em dizer "sempre") em vez do "eu" ou "tu", a intimidade que nos faz sentir que o Inverno mais rigoroso é atenuado para a suavidade de um Outono, a intimidade que nos faz sentir quentes quando neva, que nos faz sentir corajosos quando nos aparece um monstro, um verdadeiro Balrog do "Senhor dos Anéis"...e como eu era corajoso...a intimidade que se apresenta como uma essência captada pelo olfacto e que nos faz procura-la, segui-la como um veículo até à felicidade.
Mentiria se dissesse que a dimensão da manifestação física da intimidade não tem qualquer significado. É óbvio que tem mas apenas como um sistema de linguagem corporal que nos permite manifestar de outra forma aquilo que se sente...aquilo que se é!! Sim, a intimidade é uma forma de ser...uma forma de ser para com o outro...uma forma de ser que se manifesta numa simbiose entre duas entidades que se partilham e se entregam mutuamente. No entanto, nem tudo é fácil. Há alturas em que surge uma dificuldade terrível em fazer prevalecer o "nós"e este acaba por ser dominado pela dimensão do "eu", por um egocentrismo puro e injusto que não nos deixa ceder, que não nos deixa sair da nossa esfera, que nos mantém enclausurados naquilo a que teimamos chamar de convicções mesmo que estejam erradas. Não que a dimensão do "eu" não deva existir uma vez que é fundamental para descobrirmos a nossa posição dentro do "nós" e para descobrirmos também se estamos dispostos a viver nessa dimensão, mas considero que deva existir um equilibrio entre essas duas entidades para que pensando no outro não nos esqueçamos de nós e vice-versa. E é curioso ver como a intimidade, quando bem alicerçada, vence qualquer um destes atritos que dificultam a progessão numa estrada que todos os dias percorremos. Os tibetanos têm um ditado interessante: "Por baixo da neve, há-de crescer sempre relva verde". Ou seja, para que haja Primavera tem de haver um Inverno e a Intimidade é isso mesmo, um ciclo sazonal onde os pequenos invernos dão sempre origem à Primavera e sabe tão bem quando vemos o Inverno a ser ultrapassado...não com dramatismos, mas com a sensatez de quem os compreende, os aceita, os pondera e os vence.
Tenho saudades de acordar "com alguém do meu lado", com alguém que comece o dia comigo e me diga "Bom Dia", me dê a mão, e mesmo longe, passe o dia na minha companhia. Alguém que olha para mim e saiba ler o que sinto através do meu olhar sem ser necessário que eu fale. Alguém que encosta a minha cabeça no peito e com simples palavras me produza um sorriso de força e coragem quando eu acho que não a tenho. Alguém que cante comigo enquanto vejo o pôr-do-sol. Alguém que, mesmo depois de uma discussão dificil, me acaricie e me faz ter vontade de deixar o orgulho para trás. Alguém que me escolhe como companhia para chorar, para rir e dizer as piadas mais estupidas e secas que possam imaginar. Alguém que goste de mim mesmo sabendo que não sou perfeito, alguém que partilha o dia comigo e conta as peripécias do mesmo. Alguém disposto a passar os maiores momentos de seca só para estar ao nosso lado nas ocasiões importantes. Alguém que se deita para descansar e olha para nós, diz-nos "Boa noite" e despede-se num sono que a fará recuperar o brilho para mais um dia. Alguém, que depois de tudo isto, mesmo depois de adormecer, continua com a mão bem agarrada à nossa.(Se me esquecer de mais alguma coisa, digam!)
A felicidade não é só isto...mas isto, a Intimidade, é grande parte da felicidade...Falei em sexo? Não, porque a felicidade pouco depende dele.
Um dia disseram-me: "A tua maior virtude transforma-se na tua maior fraqueza: a capacidade de te entregares a outra pessoa". Talvez seja por isso que olho a Intimidade desta forma e nesta fase me sinta incompleto. Se me arrependo? Não...

domingo, outubro 08, 2006

Façam de conta que estamos a 5 de Outubro...

Se realmente estivessemos no dia 5 de Outubro seria o aniversário da minha mãe. Porém, o 5 de Outubro deste ano reveste-se de um significado especial uma vez que a minha mãe fez 50 anos (eu sei que é apenas mais um que 49 e menos um que 51, mas é sempre uma ocasião diferente).
As flores, apesar de toda a sua beleza e singularidade, acabam sempre por murchar, mas é curioso como com 50 anos a minha mãe continua a mesma flor de sempre...sempre bonita, sempre com a mesma candura e doçura.
Costuma-se dizer que são os pequenos episódios escritos nas páginas desse grande livro que é a nossa vida que melhor relatam aquilo que somos...eis uma das páginas da minha mãe: Uma ocasião, quando era novinha e andava na primária, houve um episódio caricato na escola dela. Alguém tinha roubado o lanche de uma menina, não se sabia quem. A professora fez um longo interrogatório mas ninguém se descoseu, até que decidiu ameaçar os miúdos, dizendo que chamaria a Polícia. Como vocês sabem, a Polícia naquele tempo primava pela opressão e repressão, e a minha mãe perante terrível ameaça, na sua ingenuidade, inocência e com o peso de quem já tinha um coração do tamanho do mundo, disse, ausente de qualquer culpa, "Fui eu senhora professora!" E eu acho, que ainda hoje, ela continua a ser assim...Parabéns Mãe!

domingo, outubro 01, 2006

Outono...

A minha cabeça anda ocupada com tanta coisa que às vezes esqueço-me de pequenos acontecimentos, que embora não sejam fundamentais à nossa vida, não deixam de ser curiosidades que "desrotinam" os nossos dias.
Esqueci-me que já mudamos de estação...chegou o Outono.
Há uns tempos atrás seria uma "efeméride" sem qualquer sentido...nunca fui grande apologista do Outono, sempre considerei uma estação do ano "esquisita", ao contrário do Verão que para mim era a estação das estações, talvez por ser sinónimo de férias, não sei.
No entanto, as pessoas mudam. Agora gosto do Outono. Não é que tenha entrado no Outono da vida, talvez a vida me tenha levado para um Outono.
Os dias grandes de Verão começaram a enjoar-me...desejava ansiosamente que chegasse a noite, altura em que me podia juntar ao "Great Subcounscious Club" através do sono e por momentos ser inconscientemente feliz. As cores vivas dessa estação começaram a ofuscar-me: azuis, verdes, vermelhos...e agora sabe-me bem refugiar-me nos tons de castanho e amarelo que começam a surgir. Sabe-me bem olhar pela janela e ver as tardes de chuva, perder-me no silêncio, não de uma morte natural, mas de um estado de latência em que a Natureza mergulha, mas que nos faz sentir mais vivos, porque conseguimos ouvir o coração a bater...som intermitente que sinaliza a nossa vitalidade e que quase não ouvimos durante o dia, abafado pela agitação citadina e ecológica. Agora sim, ouço-me...
Não se trata de um estado de alma traduzido pela infelicidade ou pela felicidade...o Outono não é uma estação triste, ou melhor, não gosto do Outono por estar triste. Gosto do Outono pela sua latência, pela calma e serenidade em que mergulhamos. Pelo ar fresco matinal que nos desperta, pelo som das folhas no chão ao ritmo das nossas sístoles, pelos castanhos que nos fazem sentir quentes, não numa sensação exteroceptiva como a temperatura, mas sim num aquecimento interior, pelo por-do-sol ténue, escondido nas nuvens, perdido numa certa timidez de demonstrar a paixão pelo horizonte, pelo romantismo tímido, sincero e ausente de qualquer ostentação primaveril.
Eu sinto-me assim...sinto-me num Outono...
E sinto-me bem...