quarta-feira, junho 28, 2006

Música de embalar...

É raro haver uma noite em que me deite, sem antes ouvir uma música...sim, porque os graúdos também gostam de músicas de embalar! Hoje, eis a contemplada...


Hawkmoon 269 - U2


Like a desert needs rain
Like a town needs a name
I need your love.


Like a drifter needs a room
Hawkmoon
I need your love.
I need your love.


Like a rhythm unbroken
Like drums in the night
Like sweet soul music
Like sunlight
I need your love.


Like coming home
And you don't know where you've been
Like black coffee
Like nicotine
I need your love,
I need your love.


When the night has no end
And the day yet to begin
As the room spins around
I need your love
I need your love.


Like a Phoenix rising needs a holy tree
Like the sweet revenge
Of a bitter enemy
I need your love.


Like heat needs the sun
Like honey on her tongue
Like the muzzle of a gun
Like oxygen
I need your love,
I need your love.


When the night has no end
And the day yet to begin
As the room spins around
I need your love
I need your love.


Like thunder needs rain
Like a preacher needs pain
Like tongues of flame
Like a sweet stain
Need your love
I need your love.


Like a needle needs a vein
Like someone to blame
Like a thought unchained
Like a runaway train
Need your love,
I need your love.
Need your love
I need your love.


Like faith needs a doubt
Like a freeway out
Need your love.


Like powder needs a spark
Like lies need the dark
I need your love.

segunda-feira, junho 26, 2006

Origens...

À medida que vou crescendo, um súbito interesse de conhecer um pouco mais a história da minha família vai surgindo...e é por isso que me sabe tão bem almoçar com os meus avós maternos. Têm sempre uma história, uma peripécia diferente para contar. Hoje, com saudades desses almoços e também com alguma preguiça de cozinhar à mistura, decidi ir almoçar com eles. Conversa daqui, conversa d'acolá...lá veio mais uma história. Desta vez, coube ao meu avô dar-me a conhecer um pouco mais do meu bisavô Nora (que Deus o tenha), seu sogro. Nunca ouvi um homem falar tão bem do seu sogro, "um homem de coração, sempre pronto a dar mesmo quando não o tinha, um segundo pai". Pelo que ouvi, o meu bisavô Nora era um mestre de pesca, chefe de uma pequenita embarcação, com uma vida dura e incerta, como a de qualquer pescador...mas era a única forma de conseguir com que a família pudesse ter sempre o tão desejado alimento, não interessa se era peixe ou não, apenas alimento. Era casado com a minha bisavó Cândida, que ainda viveu durante os meus primeiros anos de vida, mas que da qual já não me restam muitas recordações, a não ser estas pequenitas memórias que me vão contando. Inflamado com tanta saudade e tanta admiração, o meu avô Zé contou-me a seguinte história:
" Um dia, o teu bisavô Nora acabava de chegar a casa, de manhã cedo, depois de uma longa noite de pescaria e foi para a cozinha comer qualquer coisa. A tua bisavó Cândida, sempre muito dedicada, foi arrumar-lhe as coisas que ele , fatigadamente, deixara à porta e reparou que lhe faltava o casaco castanho com que costumava andar. Perguntou-lhe:
- Oh home, onde deixaste o teu casaco castanho? Não me digas que o perdeste...
- Oh mulher, não sei, devo tê-lo deixado pousado em algum lado.
E o diálogo, ficara por aqui.
Entretanto, o teu bisavô voltou a sair para a lota, para fazer o balanço da pescaria e tratar da distribuição do peixe...e já quando não se encontrava em casa, bateu à porta um pescador, possivelmente da sua embarcação. A tua bisavó Cândida foi abrir-lhe a porta e para seu espanto viu esse tal pescador com o casaco castanho do marido. O homem disse-lhe:
- Minha senhora, peço desculpa vir incomodá-la...mas vim trazer os 50 escudos que estavam no bolso do casaco que o mestre Nora me deu esta noite, quando eu me sentia com muito frio, sem forças e meio adoentado durante a pescaria."
Perante isto, não deixo de ficar orgulhoso pelas minhas origens...é gente humilde, mas que mesmo não estando vivas, me vão dando pequenas lições. Sem dúvida, que a minha família actual é o espelho vivo do que esses meus familiares foram...e ainda bem que assim é.
Só espero um dia também vir a ser como eles eram.

quarta-feira, junho 14, 2006

Dia Nacional da Luta Contra a Dor...

Dor...acredito que este seja o tema que mais preocupa a Humanidade, mais até do que a própria morte. A morte é algo para o qual caminhamos inexoravelmente, não há volta a dar e acredito que o Homem já se resignou a esse facto, embora ainda persistam alguns valentes que querem ver os seus cadáveres congelados à espera de um milagre da medicina que os faça voltar à vida no futuro...enfim. Mas a dor é algo que se vive enquanto vivos e não há nada que nos consiga provocar pior sensação.
Penso que não existe forma de explicar a dor...podia tentar entrar pelos caminhos enevoados da Fisiologia e encerrar a dor num mecanismo puramente orgânico, mas considero que a dor é muito mais do que um processo fisológico, é uma realidade com tantas dimensões que a tornam tão subjectiva. É verdade que é o nosso corpo que a sente, ele é o veículo que a dor utiliza para se expressar, mas expressa-se de formas tão diferentes que me faz pensar se haverá apenas um tipo de dor ou vários. Parece óbvio que a dor sentimental tem para nós um peso diferente da dor física e já tentei reflectir qual delas será a pior...caramba, será pior ver um marido, um pai, uma mãe, um filho falecerem, ou viver permanentemente preso a uma cama, perfeitamente consciente da agonia que o seu corpo vive e saber que se caminha a passos largos para um fim inevitável? Em ambos os casos se sofre no corpo...e em ambos os casos se sofre na alma. No segundo caso, o aperto no coração que se sente é a dor da alma, da pessoa, do ser que move um corpo. No primeiro caso, a dor do corpo torna-se muitas vezes a dor da alma, quando se sente que esta vai perdendo a força para manter o corpo vivo, e quando muitas vezes se consegue atenuar a dor do corpo, com todo o tipo de analgésicos, a dor da alma persiste através da consciência de que aquele estado de efémero conforto é passageiro, apenas o abafar do grito do corpo.
Mas talvez, tudo o que estou para aqui a dizer não passam de balelas, de uma filosofia barata...quem sou eu para falar da dor? Terei porventura vivido alguma situação em que a dor me tenha dilacerado, me tenha feito atravessar alguma experiência que me permitisse falar dela? Não sei...acredito que já tenha sofrido...e sofri...já senti dor, só não sei se ao ponto de me sentir em total agonia. Não...a dor que senti, em nada se compara à dor de muita gente! Perante essas pessoas, esses super-ser-humanos que continuam a viver e a sorrir, sou um miserável quando me queixo de uma pequena dor que a minha alma ou o meu corpo sentem, talvez esteja a precisar de uma boa lição. Mas não terei eu também o direito ao meu sofrimento...tenho sim...mas são talvez essas pessoas que me dão a maior lição que alguma vez poderia ter e muitas vezes é o sorriso delas, que vencendo o seu próprio sofrimento, me ajuda também a vencer o meu.
Perante isto, não consigo deixar de pensar no que farei para o resto da minha vida...como futuro médico, sei que serei o companheiro de viagem nas estradas da dor de muitas pessoas, serei tão pequeno perante essa dimensão...só espero, quando nada mais restar, conseguir sorrir a quem sofre e mostrar a essas pessoas que aprendi bem a lição que me foram ensinando.
Em jeito de conclusão, sabendo que não a podemos evitar, que a dor seja algo muito pouco presente na vossa vida e quando a sentirem, pintem um bonito quadro sobre ela!

quarta-feira, junho 07, 2006

Ensaio mórbido...Ensaio vivo...

Ontem, tive a aula de Anatomia mais interessante do ano, não pela parte da Miologia que foi dada, até porque estudar os músculos do antebraço é das partes mais difíceis da Miologia, mas pelo simples facto de termos feito esse estudo em contacto directo com peças cadavéricas. Muitos de vocês dirão: "Que nojo...". É verdade, em parte foi. Não deixa de ser estranho ver cortes de ombros e braços impregnados de formol, com alguma decomposição evidente, mas também não deixou de ser fascinante desmistificar o que a nossa pele recobre. Nos livros as imagens são tão perfeitas, tão claras...e ali tudo se torna mais difícil, tudo nos parece igual e só se consegue distinguir uma massa muscular única de onde partem imensos tendões, que supostamente têm origem em músculos distindos. Mas a coisa lá se vai tornando clara e aquilo a que chamam "olho clínico" lá se vai apurando e é nessa altura que nos "deixamos lebar pelas emoções" e pela beleza e perfeição do nosso corpo.
No entanto, o meu pensamenton não esteve apenas focado na ciência e não consegui deixar de pensar no corpo, como uma dimensão da vida. A partir de certo ponto, vocês começam a olhar para as peças apenas como um instrumento de estudo, como se não houvesse qualquer vida a elas inerente, e na verdade não há. Mas também começam a pensar que aquele corpo pertenceu a alguém...começam a imaginar se era homem ou mulher, se era branco ou negro, se era alto ou baixo...e surge uma enorme curiosidade em saber quem o habitou e de que modo aquele corpo foi utilizado...se para fazer o bem, se para fazer o mal. Dizem-nos que aquelas peças cadavéricas correspondem a partes do corpo de gente pobre, gente de identidade desconhecida, gente cujo corpo não foi reclamado após a morte...e vocês agora pensam: "Mas que falta de dignidade!" Será? Fazem-se os funerais, a última despedida, cheios de pompa e circunstância, veste-se o cadáver a que insistentemente chamam de pessoa, para o fechar num caixão coberto de terra e esperar que os primeiros decompositores da cadeia trófica, reciclem a matéria orgânica até permanecerem uns vestígios de cálcio. Chamam a isto dignidade? Acho que não...Acredito que o cadáver formolizado que esteve perante os meus olhos tinha mais dignidade, pelo simples facto de ter servido para que alguém tivesse aprendido um pouco mais sobre aquilo a que chamam a "máquina perfeita", por ter servido para a aquisição de um conhecimento académico fundamental para aquilo que será a vida profissional de algumas pessoas. Não teve direito a lápide, não teve direito a flores, mas ensinou, deixou-se estudar...o conhecimento deu-lhe dignidade. Acredito que a minha sensibilidade esteja um pouco fria e verde nesta matéria...talvez porque nunca tive de enfrentar a morte de um familiar muito querido ou de um amigo e acredito que talvez aí a minha opinião mude e o funeral se torne algo realmente importante para mim. Até lá permaneço na minha imaturidade.
Mas voltando a olhar para a dimensão do corpo...cada vez mais tenho a convicção de que existe uma alma que o move. Por mais perfeito que o cérebro seja, é impossível que funcione sem uma alma que lhe dê vida. Não acredito, ponto! Vou passar 6 anos da minha vida totalmente absorvido pela tentativa de conhecer um corpo e formas de reparar as suas avarias...mas o que será feito da minha alma? Ou melhor, de que forma a minha alma comandará o meu corpo e sendo a minha alma eu próprio, de que forma utilizarei este instrumento que Deus me deu? Dizem que a Medicina é uma profissão nobre...para quê estudar um copro que sem uma alma não é nada? Se o corpo morrer a alma vive! No entanto, é através do corpo que a nossa alma, que cada um de vós, exerce a sua acção, é através do corpo que vocês se tornam palpáveis, gnosíveis, é através de um corpo que memorizamos alguém...e quando lembramos alguém, a imagem que fica é a imagem do corpo. É através do corpo que a alma pode sentir as melhores sensações: o cheiro, o gosto, o som, a intensidade de um beijo, de uma relação sexual onde dois corpos se unem...mas também as piores sensações como a dor, a fome, a agonia. Acho que sem a dimensão do corpo a nossa alma não poderia crescer...são estas sensações que ajudam ao nosso crescimento, sensações que nos ajudam a apaixonar pelas pequenas coisas da vida, mas também a perceber a importância da dor. É na alma que me torno pessoa, aliás, a minha pessoa é a minha alma...é a minha alma que aprende a amar, é a minha alma que aprende a perdoar, é a minha alma que aprende a conviver, é a minha alma que aprende a sofrer...é a minha alma que aprende a viver. Mas é através do corpo que ela se manifesta e é o corpo que lhe dá o prémio do seu bom comportamento: quando amamos, o corpo dá-nos a óptima sensação desse sentimento...mas também nos pode castigar quando algo na nossa alma não está correcto e é aí que sentimos a dor. No entanto, há dores físicas que são injustas...dores que a nossa alma não merece sofrer...aquilo a que chamamos doença. Acredito que o papel do médico seja este: uma ajuda para o fim da dor injusta que a alma sofre.
Comecei por dizer que o corpo era morte...mas agora termino a dizer que o corpo é vida, a manifestação visível da nossa alma. Cuidem da vossa alma, cresçam, amem, deixem que o vosso corpo vos premeie...mas também cuidem dele, lembrem-se que a vossa alma vive através dele, lembrem-se que vocês vivem através dele! Ele é a imagem que as pessoas guardarão de vocês...ele é a imagem que a vossa alma quiser. Será o corpo capaz de manifestar a beleza da vossa alma? Sim, mais do que a beleza que a natureza vos programou.
Nessa aula de Anatomia sinto que o meu conheimento cresceu (ou então não, porque já não me lembro de muita coisa), mas sinto também que a minha alma cresceu...que cresci.

Curioso...vejam como comecei com um enasio sobre a morte...e acabei com um ensaio sobre a vida! É assim que tem de ser...

sexta-feira, junho 02, 2006

Dia da Criança...

Ontem, como todos vocês sabem foi o dia da criança...eu por acaso não sabia e só percebi quando vi que todas as escolas do Porto decidiram trazer os seus meninos á rua! Acho que os miúdos até podiam fazer como os "grandulas" fazem nos cortejos académicos: "in...in...invasão, in...in...invasão!". Mas, completamente à parte de toda esta circunstância, lá fui eu mais um grupo de belos amigos almoçar à Reitoria da UP e quando saímos, como ainda era cedo para irmos para a aula de Microbiologia, decidimos ir dar uma volta ao Palácio de Cristal. Para nosso espanto, não é que estava lá um grande parque temático do Noddy?! Pensei para mim que da mesma forma que há uma DisneyLand Paris, podia haver uma NoddyLand Porto, lá estou eu a divagar! No meio de todos aqueles insufláveis e de "barraquinhas" onde não se vendiam shots mas via-se o grande DVD do Noddy, só nos apetecia cantarolar como as crianças: "Abram alas para o Noddy, NODDY!!!". Prosseguindo o nosso caminho, passamos por uma zona onde umas crianças almoçavam e agora o momento alto da tarde, eis que surge uma "sopeirita" com os seus 10 ou 11 anitos que se dirige a mim com uma embalagem de Compal de 1l, daquelas que tem uma rolhita branca e me pede com toda a gentileza: "Oh mo(a)ço, oh mo(a)ço, abre-me aí o pacote que eu não consigo!" (Coloquem um pouco de malícia nesta frase e aproveitando uma indirecta a uma certa pessoa: "perceberam?"). E como é óbvio, não ia rejeitar um favor a uma menina de 10 ou 11 anitos...tenho a certeza que ontem fui o herói dela! A modos que é isto, meus amigos...