domingo, março 26, 2006

Momento inesquecível...

"Sob o brilho acizentado de um dia frio de Inverno, reparei que o seu lábio inferior tremia. Com o meu acontecia o mesmo, e percebi subitamente que o meu coração estava a acelerar. Olhei-a nos olhos, sorrindo com toda a emoção que conseguia reunir, sabendo que não conseguia manter as palavras dentro de mim por mais tempo.
- Amo-te Jamie - disse-lhe - És a melhor coisa que já me aconteceu.
Era a primeira vez que dizia aquelas palavras a alguém.Quando imaginava pronunciá-las pensava sempre que iria ser difícil, mas não foi. Nunca antes tivera tanta certeza de qualquer coisa.
Mal disse aquelas palavras, porém, Jamie baixou a cabeça e começou a chorar, encostando o seu corpo ao meu. Envolvi-a nos meus braços, perguntando-me o que se passava. Ela estava magra e percebi, pela primeira vez, que os meus braços a envolviam completamente. Tinha emagrecido, mesmo na última semana e meia, e lembrei-me que mal tocara na sua comida naquele dia. Continuou a chorar encostada ao meu peito durante o que me pareceu muito tempo. Não sabia bem o que pensar, ou até se ela sentia o mesmo que eu. Ainda assim, não lamentei as minhas palavras. A verdade é sempre a verdade e tinha acabado de lhe prometer que nunca mais lhe mentiria.
- Por favor, não digas isso - disse-me ela. - Por favor...
- Mas é verdade - contrapus, pensando que ela não acreditara em mim.
Começou a chorar ainda mais. - Desculpa - sussurrou-me entre soluços rasgados. - Peço imensa desculpa...
Senti a garganta secar de repente.
- Porque é que pedes desculpa? - perguntei, subitamente ansioso por perceber o que estava a incomodá-la. - É por causa dos meus amigos e do que eles vão dizer? Já não me importo com isso, a sério que não. - Apegava-me a qualquer coisa, confuso e com medo.
Passou-se outro longo momento até ela deixar de chorar. Por fim, ergueu os olhos para mim. Beijou-me suavemente, quase como a respiração de um transeunte na rua de uma cidade, depois passou o dedo pela minha face.
- Não podes estar apaixonado por mim Landon - disse ela de olhos vermelhos e inchados. - Podemos ser amigos, podemos encontrar-nos...Mas não podes amar-me.
- Por que não? - gritei roucamente, não percebendo nada daquilo.
Porque - disse ela, por fim, baixinho - estou muito doente, Landon.
A ideia era-me tão absolutamente estranha que não conseguia compreender o que ela estava a tentar dizer.
- E depois? Daqui a alguns dias...
Um sorriso triste atravessou-lhe o rosto e soube imediatamente o que ela estava a tentar dizer-me. Os seus olhos nunca deixaram os meus quando, finalmente, disse as palavras que me entorpeceram a alma.
- Estou a morrer, Landon"
Leiam o livro...talvez aí percebam a força deste "Momento Inesquecível"...para mim foi sem dúvida um "momento inesquecível" ler este livro..."Um livro. À primeira vista pode não parecer nada de especial e de original. E realmente não é original, mas o especial deste livro supera a falta de originalidade."

segunda-feira, março 20, 2006

Verídico...

Meus amigos, tenho uma bela história para vos contar, que teve lugar no hospital de Viana do Castelo, essa bela localidade. Já passava das 22h, quando uma senhora entra nas urgências desse hospital com um cão, pastor alemão, ao colo com as patas presas na sua cintura e com a saia um pouco levantada. Imagino, que já estejam a pensar o porquê de posição tão pouco ortodoxa...pois, é isso mesmo que vocês estão a pensar! Dizem que o cão é o melhor amigo do homem e sem dúvida que aquele pastor alemão era o melhor amigo daquela senhora, suponho eu. Deixando-me de rodeios, vou directo ao assunto...a senhora lá sentiu necessidade de dar um pouco de colorido à sua vida sexual, "gostava de ter sempre as suas relações sexuais", e nada melhor para uma experiência mais arrojada do que a companhia de um cão, ainda para mais com a corpulência de um pastor alemão! E agora, o porquê de ela ter aparecido muito atrapalhada nas urgências...quando o casemiro do cão penetra na cadela, incha para que possa permanecer no interior da cadela durante a totalidade da ejaculação sem que a cadela "fuja", sem dúvida uma forma muito eficaz de garantir uma boa prol. O verdadeiro problema, que para o cão não é problema nenhum, é que o inchaço ainda leva algum tempo a desaparecer e portanto, a senhora lá ficou com o seu pastor alemão a ela acoplado, sem o conseguir tirar. No meio da atrapalhação lá recorreu ao hospital, a pensar que perante a situação caricata seria logo assistida. Mas na verdade, não deixa de ser uma paciente como os outros e também como o problema não era "grave", a senhora foi castigada pelos médicos e enfermeiros daquele hospital e ficou à espera de consulta, juntamente com todos os outros pacientes, na sala de espera do hospital. Pode ser que desta vez tenha aprendido...e resta-nos esperar para ver se vamos ter um "homo sapiens caninus"!

sexta-feira, março 17, 2006

Traje...

Pois é meus amigos...hoje fui encomendar o meu traje académico! Foi sem dúvida algo muito marcante, arrepiei-me diante do espelho enquanto o experimentava. A sensação de saber que estou na faculdade, a sensação de viver um espírito académico...a sensação de poder defender as cores da casa que me acolheu, o Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, é algo difícil de descrever e um incentivo para pensar que todo este esforço vale a pena!
Mas nem tudo foi solene...também houve peripécias engraçadas, desde a senhora que me estava a atender abrir repentinamente, sem avisar, a cortina do compartimento de prova enquanto eu estava de tronco nu e calças do traje desapertadas e em seguida, já completamente trajado, elogia-me, dizendo: "Está um verdadeiro galã", o que torna tudo muito mais suspeito tendo em conta o que se tinha sucedido previamente. Mas meus amigos, modéstia à parte, de traje fico mesmo mas mesmo jeitoso:p

sexta-feira, março 10, 2006

Adeus...

18:30...entro nos corredores do Hospital de S. João. Ambiente doentio, escuro, com uma frieza tanatológica que contrastava com a luz de uma esperança incessante de quem tenta vencer com a vida. Subo ao piso 5, ala da Cirurgia e numa pequena sala, de luz apagada, prostrava-se um homem a dormir, a repousar de uma luta diária contra o Cancro. Respirava fundo, como se cada expiração fosse um pequeno sopro que aos poucos se vai tornando mais frágil, mais ténue, como que numa despedia gradual, lenta. Até que os seus olhos se abriram, iluminando todo aquele espaço, escapando também um sorriso de uma profunda gratidão pela nossa presença, pela nossa companhia naquele momento. Uma voz cansada saía daquele corpo magro, desgastado pela quimioterapia, onde a barriga volumosa reflectia os estragos, os efeitos de tão insuportável tratamento. Mas era uma voz cheia de esperança, uma voz firme que pela luta do momento se tornava poética: "Os 2 meses que o médico me deu estão a chegar ao fim, mas eu não acredito e vou continuar a lutar cada dia que passa". Parecem palavras banais, mas são a única vitória possível numa luta tão desigual, tão injusta. E os seus olhos raiados, cansados, negros, reflectiam tanta tranquilidade, tanta calma, como se a mão de Deus lhe estivesse estendida e ele a tocar-lhe com a ponta do dedo, apenas para sentir a Sua presença, para não se sentir "só" nesta batalha que se aproxima inexoravelmente do seu fim. E depois de uma longa conversa, despediu-se: "Nunca se esqueçam de que gosto imenso de vocês e só queria ter estado mais presente na vossa vida...". Beijei-o, libertei-lhe um último sorriso, um último olhar e apesar do "até á próxima", sinto que foi a última vez que o vi...
Adeus...até já...

quinta-feira, março 09, 2006

À terceira é de vez...

Passei no exame de condução!!

domingo, março 05, 2006

Quem ouve até parece outra coisa...

Que a malta do ICBAS é mais porreira que existe, não é novidade para ninguém, mas que por vezes têm conversas estranhas...lá isso têm. Nessa virtuosa faculdade, existe muito estudante de fora da cidade do Porto que, ou diariamente ou semanalmente, fazem viagens de comboio para a sua terra natal. Por vezes, dou por mim a ouvir as conversas deles acerca das deslocações e se não soubesse do tema do conversa, acharia no mínimo...estranho:
- Ah, eu gosto de apanhar em São Bento...fica mais à mão e mais perto de casa. Se possível, à Sexta apanho sempre às 15h...
- Ah, eu não, à Sexta é bem melhor apanhar às 17:15, não é tão em cima, não se tem tanta pressa e dá mais tempo para deixar tudo arrumado.
- Vocês é que têm sorte em poderem apanhar em S. Bento...eu tenho de apanhar sempre em Campanhã...vocês pelo menos apanham sempre perto da faculdade.
- Eu nunca apanho à Sexta...deixo-me sempre ficar por cá e prefiro apanhar no Sábado logo pela manhazinha, não é tão cansativo e a viagem não é assim tão longa para ter de apanhar logo na Sexta!
Enfim...eu sei que estou a ser mauzinho...mas digam lá se não nos induz em erro?

quinta-feira, março 02, 2006

Pequena lição...

Ontem, por volta das 17:30, quando regressava a casa depois de um dia de aulas, no Metro, tive uma pequena lição, bem mais valiosa do que qualquer uma das aulas desse dia. Quando o Metro parou na estação do Estádio do Mar, no meio da azáfama daquela hora, vi uma rapariga cega a sair nessa estação, mesmo à frente do banco onde estava sentado, acompanhada pelo seu cão guia. Enquanto preparava para sair, o cão, um bonito labrador preto, parou à minha beira e farejou-me antes de se dirigir para a porta de saída e enquanto me olhou com aquele ar dócil, típico desses cães, a rapariga disse: "Vamos amigo, sê os meus olhos e leva-nos para casa". Só consegui esboçar um sorriso e passar a mão pelo dorso daquele cão, numa espécie de agradecimento por aquele momento. A união entre ele e a rapariga era tão genuína ao ponto de ela lhe entregar a vida, lhe entregar a confiança de quem procura uns olhos que a guie, uma união ao ponto de ela carinhosamente lhe chamar de amigo. E eu só conseguia pensar: "Oxalá um dia, eu também consiga ajudar desta maneira quem puser a sua vida nas minhas mãos." E numa fracção de segundos, aprendi uma pequena lição...qual Anatomia, qual Fisiologia, qual Química Biológica...basta-nos estar no sítio certo e dispormo-nos a aprender com estes pequenos momentos que acontecem a toda a hora!