sexta-feira, dezembro 22, 2006

...Adeus...

Adeus, Não Afastes Os Teus Olhos Dos Meus


Quando dormes
E te esqueces
O que ves
Tu quem és
Quando eu voltar
O que vais dizer?
Vou sentar no meu lugar


Adeus
Nao afastes os teus olhos dos meus
Isolar para sempre este tempo
É tudo o que tenho para dar

Quando acordas
Porque quem chamas tu?
Vou esperar
Eu vou ficar
Nos teus braços
Eu vou conseguir fixar
O teu ar
A tua surpresa


Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Eu vou agarrar este tempo
E nunca mais largar


Adeus
Não afastes os teus braços dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou, vou conseguir para-lo
Vou conseguir para-lo
Vou conseguir


Adeus
Não afastes os teus olhos dos meus
Vou ficar para sempre neste tempo
Eu vou conseguir para-lo
Eu vou conseguir guarda-lo
Eu vou conseguir ficar


David Fonseca


E eu não tenho coragem para dizer "Adeus"...
Quanto ao concerto no Hard Club: delicioso!
(O título do post tem reticências antes porque já havia um título assim uns posts atrás...foi para ficar diferente...)

domingo, dezembro 17, 2006

Humanos

Depois de ver na TV um pouco do grande concerto que deram no Coliseu dos Recreios, afirmo sem qualquer dúvida que foi um dos melhores projectos da música portugesa. Um projecto "do outro mundo" feito por Humanos! (belo trocadilho...ou então não)

A culpa é da vontade ( António Variações)


A culpa não, não é do Sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa não, não é do Sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te abraçar


A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te sentir

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade

A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te ver

A culpa não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa não, não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa é do lamento
Que suporta o meu cantar

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade
A culpa é da vontade

E fica o arrependimento atroz de não ter ido ao concerto no Coliseu do Porto por um exame nacional de Psicologia, que nem sequer era específica, um dia a seguir. Já era idade para eu ter juízo, enfim...

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sentidos...sensações...irracionalidade...racionalidade...

Que título mais estúpido para um post, não? Até pode ser estúpido mas traduz um pouco aquilo que vou escrever.
"Sentidos"...eis a primeira palavra que escrevi, talvez por sentir vontade de falar um pouco sobre a visão, o olfacto e a audição em especial. Não se preocupem que não tenho intenção de vos contar a história da carochinha e dizer-vos o que cada um dos sentidos é, vocês já estão fartos de saber. Sempre olhei para os sentidos como um dado adquirido, sabia que os tinha mas nunca reflecti muito sobre isso. Vejo, cheiro e ouço sem pensar...e sempre julguei que é nessa irracionalidade que reside o encanto destas acções sensoriais. Quando vemos, cheiramos e ouvimos não pensamos porque o fazemos mas antes admiramos uma imagem, apreciamos um aroma ou criticamos(no sentido construtivo) uma música e todas essas sensações despertam-nos um sentimento: agrado ou desagrado.
No entanto, ultimamente, devido à Anatomia e à Fisiologia (esses dois diabos de qualquer estudante da área da saúde), tenho estudado a anatomia morfológica e funcional destes três sentidos. São sistemas de grande complexidade e perfeição...e não deixa de ser estranho dar-lhes uma base racional e gnosiológica quando estão na origem de sensações, de algo irracional. Em conversa com um amigo em relação ao facto de eu ter de estudar estes sistemas, ele disse-me que tudo perdia um certo encanto porque se trata de sensações que estão de certa forma mistificadas e que deveriam ficar fechadas numa espécie de "Caixa de Pandora". Não que ele achasse que os sistemas sensoriais não devessem ser estudados mas que perferia saber que vê, cheira e ouve e não perceber porquê...não queria manchar o gosto da sensação e do sentimento que esses estímulos lhe provocam com a racionalidade de todo o processo que ali ocorre. Por um lado percebo. Mas prefiro discordar com ele. É certo que as sensações provocam-nos sentimentos que nada têm a ver com a racionalidade ou então que não deveriam ser contaminados por esta, mas também é certo que a perfeição morfológica e fisiológica destes sistemas confere-lhes um certo lirismo, uma certa poesia de acontecimentos que se vão gerando sucessivamente desde a aquisição do estímulo ao seu processamento e por fim à produção de uma resposta, como se a racionalidade atingisse contornos que vão ser a tela onde a sensação é pintada e o sentimento gerado. Não creio que esse conhecimento vá retirar a magia à imagem de um olhar, de um sorriso, dos contornos de um corpo que nos apaixona, que vá retirar a magia ao aroma da urze que me remonta sempre até à Peneda (Gerês) e me faz reviver alguns dos momentos mais intensos da minha curta história, que vá retirar a magia ao som de uma música na qual reescrevo uma página do meu livro, da minha vida...não creio. A magia da pintura de sensações que estes estímulos sensoriais criam permanece, e cresce algum (porque ainda sei muito pouco, muito pouco mesmo) conhecimento da tela, do pincel e das tintas que estão na base dessa obra prima...aí sim, a sensação fica completa porque por mais que nos custe a aceitar, qualquer sensação tem de ter um suporte físico.
Acho que é dos poucos exemplos em que os sentidos, sensações, irracionalidade e racionalidade conseguem coabitar "pacificamente".

segunda-feira, dezembro 11, 2006

"Serendipity"

Filme delicioso...

domingo, dezembro 10, 2006

Momento especial...

Depois de duas semanas de ensaios diários e muito cansativos...chegou o grande dia!
O Coral de Biomédicas (do qual orgulhosamente faço parte), juntamente com o Coro de Crianças e Adultos do CPO e com a orquestra da escola de música ARTAVE, interpretou a obra "Missa das Crianças" de John Rutter na Casa da Música.
Foi intenso.
Talvez as palavras do nosso maestro, Sérgio Ferreira, após o término do ensaio geral, ajudem a perceber um pouco o significado que este espectáculo teve para nós: "Vocês não são o melhor coro do mundo mas lembrem-se que hoje, dia 10 de Dezembro, serão os únicos que estarão a interpretar esta obra e logo neste espaço. Cantem para quem estiver presente e cantem para vocês também. Que seja um momento especial e divirtam-se!"
E não é que foi mesmo especial?
Obrigado a todos os que estiveram presentes, espero que tenham gostado!
(Brevemente haverá fotografias)

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Num dia de chuva à procura de um pouco de sol...

Que dia longo...acabei de chegar a casa...
Sabem aqueles momentos em que nos entra uma música na cabeça e lá permanece horas e horas? Por vezes é a música mais irritante que possamos conhecer, outras vezes a primeira música que ouvimos pela manhã...entre outras hipóteses.
Hoje de manhã, a caminho da faculdade, reparei que o "director" do jornal "O Metro" era o David Fonseca...o tempo estava chuvoso e eu à espera que aquela chuva desse tréguas, pelo menos 10min, só o tempo de chegar ao ICBAS. Talvez por o ter visto no jornal e com toda aquela chuva, comecei com um desses momentos musicais...sucede-se que essa música acompanhou-me para o resto do dia, não que tivesse a ver com o estado do tempo...até podia ter, mas não. E da mesma forma que se procura sempre um pouco de sol num dia de chuva para podermos dar uma escapadela, acredito que todos nós balanceamos um pouco entre a "chuva" e o "Sol" e procuramos incessantemente resolver essa ambivalência...
Foi bom ter esta música no ouvido.

My Sunshine And My Rain

Your fingers taste like magnets
They suck on my tongue
Begging for forgiveness

And you rise up your defenses
By hunting down my flaws
Searching where it weakens

And you're crazy when you think
That I will let you in
My sunshine and my rain
The thoughts I hide away
From all the world to see

You threaten me with curses
Throw black cats to my face
But I'm not supersticious

Like you could know someone
By knowing what they've done
But no one is that simple

And you're crazy when you think
That I will let you in
My sunshine and my rain
The thoughts I hide away
From all the world to see

And you're fool enough to hope
That you could ever really know
My sunshine and my rain
The thoughts I hide
From all the world to see
No you just can't take that from me

No you just can't take that from me

David Fonseca

Eu sei que isto não tem interesse nenhum para vocês...mas acabei de chegar a casa e foi uma forma de "desrotinar" um pouco, partilhar com vocês algo do meu dia.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ainda bem...

Depois de jantar, sentei-me um pouco na sala e estive a ver uma reportagem na SIC sobre instituições que prestam apoio a pessoas portadoras de deficiência no sentido de as auxiliar no desenvolvimento biopsicossocial com vista à sua integração no meio social. Esse trabalho de intervenção no desenvolvimento é feito por uma equipa multidisciplinar que engloba profissionais da área da saúde e não só, que integra fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, psicólogos entre outros...
Pus-me a pensar no trabalho desses profissionais...ainda bem que eles existem. Como estudante de Medicina olho para aquilo que tem sido o meu percurso académico e para aquilo que ainda vou ter de percorrer e não consigo deixar de ver uma certa falta de humanismo no mesmo. Os médicos são viciados na etiologia da doença, ou seja na sua causa orgânica e fisiológica...são viciados na anatomia, na bioquímica, na fisiologia, na farmacologia, na imunologia e tendem a "mecanizar" um corpo que para além de ser uma máquina é também uma individualidade, uma alma nele patente, um sopro de vida...são viciados na semiologia, nas técnicas de diagnóstico e tornam-se verdadeiros ficheiros audio que repetem constantemente: "O sr. tem isto...vou receitar-lhe isto...e se isto não melhorar volte daqui a uns dias." Parecem verdadeiros mecânicos que se preocupam exclusivamente em tratar da máquina. Acontece por vezes, que mesmo depois de reparada, a máquina não funciona perfeitamente ou então sofreu um acidente que lhe retira algumas capacidades sejam elas motoras ou mentais e nessa altura o médico age como se não houvesse nada mais a fazer. É neste momento que entram os profissionais de que vos falei ao início...são esses profissionais que, aliados a um certo conhecimento clínico, desenvolvem, através de enorme criatividade, formas de intervenção que permitem dotar os doentes de mecanismos de adaptação ao meio. São esses profissionais que partilham o dia de luta com o deficiente, que partilham sorrisos, que partilham lágrimas...são esses profissionais que os reeducam, que lhes conseguem devolver alguma da "vida" que possuíam...
A fronteira entre a ciência e a arte é muito ténue...e porque não olhar para a ciência como uma arte? Eu vejo arte nestes profissionais, uma arte humana, não de curar mas de dar, de ensinar a reexplorar o mundo, uma arte que devolve vida.
Com isto não quero menosprezar o papel dos médicos até proque estão na linha da frente da detecção da doença e na prestação de cuidados, mas sim enaltecer a importância que fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e muitos outros profissionais da saúde têm na promoção da saúde do deficiente e também no acompanhamento da sua luta diária. Por vezes olho para mim, futuro médico, como um simples mecânico viciado na doença e na sua origem, esquecendo a alma e a individualidade que habita a "máquina que manipulo" e olho para os profissionais da saúde que tenho referido como os verdadeiros médicos: Ainda bem que vocês existem!

domingo, dezembro 03, 2006

Parabéns Mana!

Acabei de te telefonar e disseste:"Há 26 anos nasceu uma gaja que haveria de mudar o teu mundo!"
E tens razão...somos pessoas muito diferentes, com feitios muito diferentes mas é curioso ver a forma como me influenciaste e como parte de mim a ti pertence. Costumo dizer que os pais me amaram e educaram mas foste tu que me fizeste crescer, foste tu que adubaste o terreno onde cresci...
Gostava de conseguir ser forte como tu, de ser determinado como tu, de ser corajoso como tu...e obrigada por teres "mudado o meu mundo"!
Que tenhas um dia muito feliz!


quinta-feira, novembro 30, 2006

35 anos!!!

Acho que já não vou a tempo, mas façam de conta que estamos a 28 de Novembro.
Toda a gente sabe que este "cantinho" muito especial tem para mim um lugar de destaque. Muitas noites nele passadas e muito boas recordações. Pois é...e pela actualidade que tem nem parece que faz 35 anos!
Desejo-te muitos anos de vida para que continues "a levar a bom porto" a minhas noites de Sexta e Sábado!

Parabéns Batô!!
(esta foto já é antiga mas ele continua quase igual)

terça-feira, novembro 28, 2006

U218

Quem me conhece minimamente bem sabe que estes quatro rapazes irlandeses não me são indiferentes! Costumo dizer: tirando as relações humanas, não há nada que tenha marcado tanto a minha vida, que me tenha influenciado tanto e que me tenha acompanhado tanto quanto os U2. Arrisco a dizer que 70% das músicas me levam, cada uma, a uma recordação diferente...cada uma ligada a uma história diferente, cada uma com um significado diferente.

Este é o álbum mais recente, os 18 temas escolhidos para descrever a história de uma banda...na minha opinião a escolha não é perfeita e eu faria umas 5 alterações pelo menos. Mas bom ou mau, não deixa de ser U2...


sexta-feira, novembro 24, 2006

Comentário à intempérie...

Com a marquise (não sei se é assim que se escreve) a verter água por todos os lados, o chão todo alagado e cansado de esvaziar bacias que estão por baixo das frinchas por onde a água passa, lembrei-me das minhas brincadeiras de criança e por momentos tive vontade de ir buscar a minha espada de pirata (de um Carnaval longínquo...acho que todos os miúdos passam uma fase em que querem vestir-se de piratas) e com um ar desesperado gritar: "Captain, Captain!! We are sinking!!"

domingo, novembro 19, 2006

Primeira vez...

Ontem, 18 de Novembro, podia ter sido um dia como todos os outros mas não foi.
Não sei se sabiam, mas no início deste ano lectivo entrei para o Coral do Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, CICBAS, e ontem tive a minha primeira actuação. Confesso que ainda estou com aquela cara de puto entusiasmado quando lhe dão um brinquedo que ansiava há imenso tempo e em duas palavras arrisco dizer que foi: Im...pressionante!
A tarde começou bem cedo. Às 15h já estava no ICBAS pronto para as tarefas de caloiro que passam por carregar o piano e os estrados para montar no palco. Só aí já fiquei de rastos, mas o entusiasmo superava o cansaço e tinha mesmo de ser porque o dia ia ser bem longo. A primeira actuação do dia foi no CACE no Porto e...foi um fiasco, principalmente para esse louvável naipe que se autodenomina de "Baixos", do qual orgulhosamente faço parte e que se encontrava mutilado dos seus melhores e experientes membros. Ou seja, passamos ao lado da actuação. Mas à noite foi bem diferente. O destino era Paredes e actuamos no novo Salão Paroquial daquela comunidade cristã. Os reforços chegaram e a segurança aí foi outra. Sala cheia, perto de 500 pessoas e quando entrei naquele palco arrepiei-me todo, não de nervosismo mas porque as meninas do Coral são bem booooonitas... falando a sério, foi uma sensação esquisita, mas boa. Os apresentadores dos nosso Coral estiveram em grande nas suas intervenções (somos quase tão bons quanto o Tony Carreira e descobrir que o apelido do Tom Jobim tem a sua proveniência no facto de na sua família ter ascendência de Jovim, Gondomar) e nós até que não cantamos mal, aquilo até que parecia um coral a sério. E que bom que foi sentir o entusiasmo de todas aquelas pessoas que pagaram 5€ para nos ver (as receitas não eram para nós). No fim, depois dos aplausos, fomos combater a chamada "larica" numa óptima ceia preparada pelos anfitriões. Regressados ao Porto, há que voltar a arrumar as coisas e...beber finos para o café ao lado do Piolho, o "Universidade"...e que bem que soube! Dei o meu dia por terminado, eram para aí 2:30.
Nomear o melhor do dia? Complicado. Quando saí do palco fiz para mim mesmo um comentário extremamente gay( com todo o respeito pelos homossexuais) que pode resumir o que foi estar em palco: "Foi a minha primeira vez e não doeu nada". Mas arrisco dizer que o melhor foi: o Coral. O ambiente que se vive, a informalidade, o entusiasmo...o Coral é isto, não se resume às actuações e sabe bem sentir que aos poucos vou fazendo parte desse grupo. Espero que o CICBAS marque de forma muito especial os 5 anos de curso que ainda me restam e me façam permanecer na ambivalência entre o desejar acabar o curso e o querer que isto não acabe...


Que bonito símbolo, hã?

sexta-feira, novembro 17, 2006

Interpol




















"Slow Hands"


O antídoto contra a má disposição depois de um dia bem difícil! Fica a sujestão, ouçam...

domingo, novembro 05, 2006

Melhor momento televisivo dos últimos 50 anos...

David Fonseca e um fantástico "cover" desse grande "hit" da nossa música portuguesa: "Afinal havia outra" convertido em "After all there was another". Bem melhor que as traduções dos Onda Choc há uns anos atrás...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Primeira cirurgia...

O dia de hoje podia ser um dia como outro qualquer...se calhar até foi, mas peço-vos que me deixem considerá-lo especial. Porquê? Porque assisti, pela primeira vez, a uma cirurgia, mais precisamente, a uma neurocirurgia. Foi na Casa de Saúde da Boavista. Não sei se lá voltarei a entrar, mas as recordações do dia de hoje ficarão sempre guardadas e lembrar-me-ei de cada momento como se fosse no presente. Como vocês sabem, estudo para um dia vir a ser médico e estes momentos em que se contacta pela primeira vez com o mundo clínico são sempre emotivos e acabam por dar sentido ao nosso trabalho, ou melhor, fazem-nos ver que afinal o nosso trabalho faz sentido. São experiências que nos levam para lá dos livros e que são capazes de nos ensinar mais do que largas horas de estudo. Mas vou então falar-vos da neurocirurgia, proprimente dita.
O caso clínico, de uma forma simples, era o seguinte: uma senhora, já com uma certa idade, que apresentava uma herniação discal tripla na coluna cervical, ou seja, tinha três discos intervertebrais a comprimir a espinal medula ao nível do pescoço, daí falar-se em coluna cervical, com a consequente formação de osteófitos nos corpos vertebrais. Estas calcificações são vulgarmente conhecidas por"bicos de papagaio". A compressão da medula na sua região anterior provocava um défice motor à paciente, nomeadamente dificuldade em andar, uma vez que as vias eferentes que enviam os sinais para os músculos se encontravam comprimidas. Curiosamente, para verem como o mundo é pequeno, a senhora é de Montalegre (localidade onde tenho uma casita de aldeia). O procedimento cirúrgico para estes casos é extremamente simples: passa pela remoção do osteófito, do disco intervertebral danificado e posterior colocação de uma prótese a substituir esse mesmo disco.
Foi uma sensação agradável assistir à cirurgia, não só pela beleza da "máquina" sob reparo, mas também por ver que tudo aquilo já não é estranho e sentir que já tenho alguma capacidade intelectual para compreender cada passo da cirurgia e saber identificar cada uma das estruturas anatómicas que iam surgindo. Fez-me pensar: "Ah e tal, esta coisa da anatomia até que dá jeito!" Pois é, o mecânico também tem de conhecer o carro para o poder reparar e na verdade os médicos também são mecanicos mas calhou-lhes o azar de o ser numa máquina bem mais complicada. E para quem pensar que no bloco operatório se vive um ambiente austero, silencioso e sério engana-se. Aquilo é a verdadeira animação e fala-se de tudo menos da operação: de futebol, de gajas, de gajos, de memórias de quando se era estudante, peripécias bizarras, anedotas, música, enfim...de tudo um pouco. Rádio ligado...sim, a minha primeira cirurgia foi ao som de U2, entre outras bandas! E momento alto da cirurgia: "Bem pessoal, não venham para cirurgia por achar que isto é giro. Venham por ser algo que vos apaixone. Se pensam que isto é bom, garanto-vos que isto não dá orgasmo nenhum!Pensem bem." E muitas outras coisas foram ditas, de conteúdo muito mais inadequado, as quais não posso revelar uma vez que me foi pedido "sigilo profissional".
Foi uma tarde muito cansativa, mas soube bem.









Fica esta foto para a posteridade: a brigada anti hérnias discais (destes quatro cromos que resolveram brincar aos cirurgiões, sou o que está mais à direita)

sexta-feira, outubro 27, 2006

Surpresa...

Cada dia é, sem dúvida, uma caixinha de surpresas...e os melhores momentos do dia são aqueles simples, imprevisíveis e capazes de nos provocar um leve sorriso que nos contagia nas horas seguintes.
Acabei de ter um desses momentos...cheguei da piscina e cansado sentei-me no sofá...ligo a televisão e deparo-me com esta linda mulher, com uma doce voz a cantar um poema assim:

Plágio

Talvez um dia se acabe
Esta loucura que arde
E faz arder loucamente
O dia por acabar

Talvez um dia se vá
A doce melancolia
Eterna a terna magia
Do beijo por esperar

Talvez um dia
Porém...
Até que a morte separe
Juro o verso que roubei*

Que a chama dure, perdure,
Na verdade que sonhei
E sonho acorde seguro
Da noite em que te encontrei

Olho-te, Quero-te, Tenho-te, Amo-te,
Enrolo-te, Devoro-te, Juro-te, Adoro-te,
Jogo-te, Ganho-te, Ganho-te, Exploro-te,
Jogo-te, Perco-te, Perco-te, Choro-te.

*"Que não seja imortal posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure"

Maria de Vasconcelos

Simplesmente...delicioso...

(O "Blogger", esse indivíduo que nos deixa escrever estas coisas, hoje, decidiu fazer birra e portanto não me deixou colocar aqui uma foto da Maria...a todos os elementos do sexo masculino: "Temos pena...")

quarta-feira, outubro 25, 2006

Momento do dia...

Por volta das 16:30, quando regressava a casa da faculdade (já em Matosinhos), para variar um bocadinho, o céu estava carregado, negro e eu , com "cagufes" (há muito tempo que não utilizava este palavra, que nostálgico!) de não chegar a tempo a casa e ficar ensopado com a hipotética carga de água que ameaçava cair, só desejava que o céu adiasse, por mais uns minutos, a "incontinência urinária" que o tem afectado ultimamente. E assim foi...
No momento que entro em casa, começo a ouvir a chuva no telhado do prédio...dirigi-me à varanda e... o céu desfez-se em água e aquele tom carregado deu lugar a um céu "aliviado", com pequenos raios de Sol a escaparem-se timidamente entre as nuvens, tornando o mar cor de prata, e ao longe um enorme arco-íris que, em terra, competia com a beleza do mar espelhado. Foi bom chegar a casa e receber um "sorriso" da única coisa que nos acompanha todos os momentos da nossa vida...o mundo que nos rodeia...ao qual muita gente chama: Natureza.
Sem dúvida, o melhor momento de "desrotinanço" do meu dia!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Frase do dia...

"A felicidade não está no sexo, mas sim na intimidade."
Encontrei esta frase no blog de um famoso locutor de rádio, o Pedro Ribeiro, e confesso que nela fiquei a pensar, não por achar que me deu uma lição mas por reforçar ainda mais o que penso e sinto, nesta fase da minha vida.
Estar sozinho não é o fim do mundo. No entanto custa quando temos a convicção de que somos mais fortes e felizes quando temos alguém que nos completa. Em tempos fui forte e muito feliz, muito mesmo, e vocês não podem imaginar quanto. Sinto falta dessa tempo...uma espécie de vazio que me faz sentir a 60%. Estarei a ser justo comigo? Talvez não e por isso o mais acertado é nem sequer entrar por esse tipo de quantificação, não é algo mensurável e sinto que sou muito mais coerente se apenas permanecer na ideia de que realmente me sinto incompleto.
Agora vocês perguntam acerca do que me faz sentir assim e eu digo que a resposta está na frase com que iniciei este desabafo.
Não é da relação carnal, física (como lhe queiram chamar) de que sinto falta. Mas sim da intimidade inerente à relação, a intimidade que por vezes nos faz falar em "nós" (digo "por vezes" porque estaria a ser imaturo em dizer "sempre") em vez do "eu" ou "tu", a intimidade que nos faz sentir que o Inverno mais rigoroso é atenuado para a suavidade de um Outono, a intimidade que nos faz sentir quentes quando neva, que nos faz sentir corajosos quando nos aparece um monstro, um verdadeiro Balrog do "Senhor dos Anéis"...e como eu era corajoso...a intimidade que se apresenta como uma essência captada pelo olfacto e que nos faz procura-la, segui-la como um veículo até à felicidade.
Mentiria se dissesse que a dimensão da manifestação física da intimidade não tem qualquer significado. É óbvio que tem mas apenas como um sistema de linguagem corporal que nos permite manifestar de outra forma aquilo que se sente...aquilo que se é!! Sim, a intimidade é uma forma de ser...uma forma de ser para com o outro...uma forma de ser que se manifesta numa simbiose entre duas entidades que se partilham e se entregam mutuamente. No entanto, nem tudo é fácil. Há alturas em que surge uma dificuldade terrível em fazer prevalecer o "nós"e este acaba por ser dominado pela dimensão do "eu", por um egocentrismo puro e injusto que não nos deixa ceder, que não nos deixa sair da nossa esfera, que nos mantém enclausurados naquilo a que teimamos chamar de convicções mesmo que estejam erradas. Não que a dimensão do "eu" não deva existir uma vez que é fundamental para descobrirmos a nossa posição dentro do "nós" e para descobrirmos também se estamos dispostos a viver nessa dimensão, mas considero que deva existir um equilibrio entre essas duas entidades para que pensando no outro não nos esqueçamos de nós e vice-versa. E é curioso ver como a intimidade, quando bem alicerçada, vence qualquer um destes atritos que dificultam a progessão numa estrada que todos os dias percorremos. Os tibetanos têm um ditado interessante: "Por baixo da neve, há-de crescer sempre relva verde". Ou seja, para que haja Primavera tem de haver um Inverno e a Intimidade é isso mesmo, um ciclo sazonal onde os pequenos invernos dão sempre origem à Primavera e sabe tão bem quando vemos o Inverno a ser ultrapassado...não com dramatismos, mas com a sensatez de quem os compreende, os aceita, os pondera e os vence.
Tenho saudades de acordar "com alguém do meu lado", com alguém que comece o dia comigo e me diga "Bom Dia", me dê a mão, e mesmo longe, passe o dia na minha companhia. Alguém que olha para mim e saiba ler o que sinto através do meu olhar sem ser necessário que eu fale. Alguém que encosta a minha cabeça no peito e com simples palavras me produza um sorriso de força e coragem quando eu acho que não a tenho. Alguém que cante comigo enquanto vejo o pôr-do-sol. Alguém que, mesmo depois de uma discussão dificil, me acaricie e me faz ter vontade de deixar o orgulho para trás. Alguém que me escolhe como companhia para chorar, para rir e dizer as piadas mais estupidas e secas que possam imaginar. Alguém que goste de mim mesmo sabendo que não sou perfeito, alguém que partilha o dia comigo e conta as peripécias do mesmo. Alguém disposto a passar os maiores momentos de seca só para estar ao nosso lado nas ocasiões importantes. Alguém que se deita para descansar e olha para nós, diz-nos "Boa noite" e despede-se num sono que a fará recuperar o brilho para mais um dia. Alguém, que depois de tudo isto, mesmo depois de adormecer, continua com a mão bem agarrada à nossa.(Se me esquecer de mais alguma coisa, digam!)
A felicidade não é só isto...mas isto, a Intimidade, é grande parte da felicidade...Falei em sexo? Não, porque a felicidade pouco depende dele.
Um dia disseram-me: "A tua maior virtude transforma-se na tua maior fraqueza: a capacidade de te entregares a outra pessoa". Talvez seja por isso que olho a Intimidade desta forma e nesta fase me sinta incompleto. Se me arrependo? Não...

domingo, outubro 08, 2006

Façam de conta que estamos a 5 de Outubro...

Se realmente estivessemos no dia 5 de Outubro seria o aniversário da minha mãe. Porém, o 5 de Outubro deste ano reveste-se de um significado especial uma vez que a minha mãe fez 50 anos (eu sei que é apenas mais um que 49 e menos um que 51, mas é sempre uma ocasião diferente).
As flores, apesar de toda a sua beleza e singularidade, acabam sempre por murchar, mas é curioso como com 50 anos a minha mãe continua a mesma flor de sempre...sempre bonita, sempre com a mesma candura e doçura.
Costuma-se dizer que são os pequenos episódios escritos nas páginas desse grande livro que é a nossa vida que melhor relatam aquilo que somos...eis uma das páginas da minha mãe: Uma ocasião, quando era novinha e andava na primária, houve um episódio caricato na escola dela. Alguém tinha roubado o lanche de uma menina, não se sabia quem. A professora fez um longo interrogatório mas ninguém se descoseu, até que decidiu ameaçar os miúdos, dizendo que chamaria a Polícia. Como vocês sabem, a Polícia naquele tempo primava pela opressão e repressão, e a minha mãe perante terrível ameaça, na sua ingenuidade, inocência e com o peso de quem já tinha um coração do tamanho do mundo, disse, ausente de qualquer culpa, "Fui eu senhora professora!" E eu acho, que ainda hoje, ela continua a ser assim...Parabéns Mãe!

domingo, outubro 01, 2006

Outono...

A minha cabeça anda ocupada com tanta coisa que às vezes esqueço-me de pequenos acontecimentos, que embora não sejam fundamentais à nossa vida, não deixam de ser curiosidades que "desrotinam" os nossos dias.
Esqueci-me que já mudamos de estação...chegou o Outono.
Há uns tempos atrás seria uma "efeméride" sem qualquer sentido...nunca fui grande apologista do Outono, sempre considerei uma estação do ano "esquisita", ao contrário do Verão que para mim era a estação das estações, talvez por ser sinónimo de férias, não sei.
No entanto, as pessoas mudam. Agora gosto do Outono. Não é que tenha entrado no Outono da vida, talvez a vida me tenha levado para um Outono.
Os dias grandes de Verão começaram a enjoar-me...desejava ansiosamente que chegasse a noite, altura em que me podia juntar ao "Great Subcounscious Club" através do sono e por momentos ser inconscientemente feliz. As cores vivas dessa estação começaram a ofuscar-me: azuis, verdes, vermelhos...e agora sabe-me bem refugiar-me nos tons de castanho e amarelo que começam a surgir. Sabe-me bem olhar pela janela e ver as tardes de chuva, perder-me no silêncio, não de uma morte natural, mas de um estado de latência em que a Natureza mergulha, mas que nos faz sentir mais vivos, porque conseguimos ouvir o coração a bater...som intermitente que sinaliza a nossa vitalidade e que quase não ouvimos durante o dia, abafado pela agitação citadina e ecológica. Agora sim, ouço-me...
Não se trata de um estado de alma traduzido pela infelicidade ou pela felicidade...o Outono não é uma estação triste, ou melhor, não gosto do Outono por estar triste. Gosto do Outono pela sua latência, pela calma e serenidade em que mergulhamos. Pelo ar fresco matinal que nos desperta, pelo som das folhas no chão ao ritmo das nossas sístoles, pelos castanhos que nos fazem sentir quentes, não numa sensação exteroceptiva como a temperatura, mas sim num aquecimento interior, pelo por-do-sol ténue, escondido nas nuvens, perdido numa certa timidez de demonstrar a paixão pelo horizonte, pelo romantismo tímido, sincero e ausente de qualquer ostentação primaveril.
Eu sinto-me assim...sinto-me num Outono...
E sinto-me bem...

quinta-feira, setembro 28, 2006

Desabafos...

Há algum tempo que não escrevo algo meu...que não desabafo. Aliás, o desabafo é uma boa forma de desrotinar: como se fizessemos uma pausa na qual nos damos algum tempo para sentirmos a nossa fragilidade e a vencermos com a força de quem está ao nosso lado...
Gostava de conseguir escrever alguma coisa...sinto um turbilhão de ideias a varrerem-me, nem sei por onde começar. Mas é incrível como há músicas que escrevem a nossa história num dado momento, que nos facilitam a vida no que respeita ao desabafo...e falam por nós...
A minha sorte é existir uma música que fala por mim...neste momento...

Footsteps - Pearl Jam

Don't even think about reaching me
I won't be home
Don't even think about stopping by
Don't think of me at all

Ohh...I did, what I had to do
If there was a reason, it was you...

Don't even think about getting inside
Voices in my head, oohh...voices

I got scratches, all over my arms
One for each day, since I fell apart
Ohhh...I did, what I had to do
If there was a reason, it was you...

Footsteps in the hall, it was you, you
Pictures on my chest, it was you
It was you...

OOhh...I did, what I had to do
And if there was a reason
Oh, there wasn't no reason, no
And if, there's something you'd like to do
Just let me continue, to blame you

Oh...Footsteps in the hall, it was you, you
Oh...Pictures on my chest, it was you, it was you

sexta-feira, setembro 22, 2006

Na piscina...

Hoje decidi ir à piscina, numa tentativa deseperada de desenferrujar este corpo que tem sido vítima de um sedentarismo desenfriado, ou atrás de uma bancada dos auditórios da faculdade ou atrás de uma secretária de casa.
Cheguei, pus este lindo corpo à vista de todo o mulherio presente naquelas águas e durante 40min fi-lo transpirar, mais do que se estivesse numa tarde de sexo louco e descomprometido, uma vez que fiz para cima de 20 piscinas e os fisiologistas dizem que uma boa relação sexual equivale a um gasto calórico de 20 piscinas, portanto o exercício foi mesmo proveitoso.
Saí da água e dirigi-me aos balneários para tomar um bom banho relaxante...e que bem que me soube sentir aquela água a escorrer-me pelo corpo. Quando terminei, há que me secar, estava sozinho...e enquanto passava a toalha por este belo e tonificado corpo, ouvi um barulho estranho no acesso do interior da piscina para os balneários...pareciam baldes das funcionárias da limpeza, mas não dei grande importância porque parecia ser dentro do recinto da piscina em si.
E para meu espanto, ouço de repente:
"Aii...um homem nu!!"...fez-se um silêncio de segundos e volto a ouvir..."Peço imensa desculpa!"
Resta-me saber se aquele "Aii" foi uma expressão orgásmica pelo facto da senhora ter vislumbrado uma visão tão boa ou se foi uma simples expressão de embaraço. Acho que prefiro ficar na dúvida ou então pensar que, inconscientemente, fiz uma boa acção ao proporcionar o melhor momento dia àquela humilde senhora...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Pearl Jam

Talvez o concerto mais marcante da minha vida...







Black


Hey...oooh...
Sheets of empty canvas, untouched sheets of clay
Were laid spread out before me as her body once did
All five horizons revolved around her soul
As the earth to the sun
Now the air I tasted and breathed has taken a turn


Hey...oooh...and all I taught her was everything
Ooh, I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands chafe beneath the clouds
Of what was everything?
Oh, the pictures have all been washed in black,
tattooed Everything...


I take a walk outside
I'm surrounded by some kids at play
I can feel their laughter, so why do I sear
Oh, and twisted thoughts that spin round my head
I'm spinning, oh, I'm spinning
How quick the sun can, drop away
And now my bitter hands cradle broken glass
Of what was everything
All the pictures have all been washed in black,
tattooed everything...


All the love gone bad turned my world to black
Tattooed all I see, all that I am, all I will be...
yeah...Uh huh...uh huh...ooh...


I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star
In somebody else's sky, but why, why, why
Can't it be, can't it be mine


We belong...we belong together...

terça-feira, agosto 22, 2006

2º ano...aqui vou eu!

MT106
QUÍMICA BIOLÓGICA - 13

MT116
BIOLOGIA CELULAR - 17

MT117
MÉTODOS QUANTITATIVOS - 12

MT118
BIOFÍSICA - 12

MT119
GENÉTICA BÁSICA - 17

MT127
MICROBIOLOGIA GERAL - 10

MT128
FISIOLOGIA GERAL - 12

MT129
ANATOMIA SISTEMÁTICA I - 15

MT131
SOCIOLOGIA MÉDICA - 10

MT141
PSICOLOGIA I - 16

MT142
SAÚDE COMUNITÁRIA I - 16

MT143
ECOLOGIA - 15

MT144
HISTÓRIA DA MEDICINA - 14

Agora é continuar a "desrotinar" para aproveitar bem o que ainda resta das férias...o 1º está feito, venha agora o 2º!

sexta-feira, julho 28, 2006

Quando é que será que o Homem acorda?



Não percebo...não consigo perceber...

sábado, julho 15, 2006

Destiny...

Hoje, quando cheguei a casa, depois de uma manhã muito atribulada, a primeira coisa que fiz mesmo antes de começar a cozinhar foi pôr no leitor de DVD de minha casa o cd "Simple Things" dos Zero7 e deitar-me no sofá a acalmar um pouco.
O cd foi correndo até que chegou à música "Destiny"...
Simplesmente adoro esta música...arrisco-me a dizer que não conheço música mais sensual, mais envolvente...parece que nos abraça e nos leva embalados num misto de sensações que nos faz entrar num estado de entropia mínimo e caminhar pelo nosso imaginário mais íntimo, mais intenso, ao mesmo tempo que a nossa pulsação diminui para níveis quase imperceptíveis.
Talvez, por não ter, há muito tempo, uma tarde verdadeiramente boa que me faça entrar na noite com um sorriso...imaginei como seria para mim, neste momento, a tarde ideal.
Primeiro, teria de recuar até Março...não para fugir ao calor...mas porque não existe tardes mais bonitas que as de Março, aquelas tardes frescas, um pouco encobertas pelas nuvens onde o Sol se tenta escapar para alimentar a nova vida que tenta brotar. Tardes onde corre uma brisa fresca, mas suave, que nos vai acariciando e no vais conduzindo sem destino específico ou então para um sítio que nos pretende mostrar.
Para viver essas tardes, nada melhor que uma companhia bem especial...uma companhia que nos dê a mão e connosco faça também parte dessa viagem, dessa aventura que o próprio vento se encarrega de nos apresentar. Essa brisa conduz-nos para um sítio onde sopra com mais força...uma praia. Chegados a esse local...sentamo-nos numa rocha, abraçados, mesmo com o mar diante de nós. O vento sopra forte, bate de uma forma agreste na nossa face mas não há forma de sentir o frio, quando protegidos pelo calor de um abraço, de uma presença tão especial. O tempo vai passando no meio de conversas, de desabafos, de piadas que nos fazem enfeitar aquela bela tarde com um sorriso sempre permanente...e...porque não, cantar? Sim, passar parte desse tempo a cantar (gosto muito de cantar, acho que quem me conhece não tem essa noção, mas grande parte do meu dia passo-o a cantar), não interessa se afinado, mas apenas levados por umas notas soltas que nos dizem alguma coisa. O tempo vai passando...leste...sim, porque os momentos bons passam a correr.
E já não muito tarde, os dias de Março ainda não são muito longos, o Sol começa a mergulhar suavemente no mar, meio escondido em algumas nuvens que absorvem o laranja de acto tão intenso, que escondem um pouco aquele beijo entre o Sol e a Água e que dão um misto de cores únicas ao céu que serve de cenário a todo aquele fenómeno...
Esperamos calmamente...em silêncio...que aquele beijo termine...
A tarde parece chegar ao fim...o Sol escondido ainda dá alguma luz ao dia, numa tentativa de nos aquecer um pouco mais daquela brisa...e levados pelo silêncio daquele momento, um beijo termina o quadro vivido naquelas horas...um simples beijo que aqueceu uma bonita tarde de Março.
Bem...infelizmente, a música dura apenas uns escassos 5:37...acordei e agora estou de volta à rotina, à espera da chegada de uma tarde assim.

segunda-feira, julho 10, 2006

José Ferreira...

Enquanto estive em Colónia, por altura das Jornadas Mundias da Juventude, eu e mais um grupo de amigos tivemos o privilégio de conhecer uma pessoa fantástica, especial que era diácono. Conseguiu conquistar-nos com a sua simpatia e simplicidade...e ontem dia 9 de Julho foi ordenado sacerdote na Sé do Porto.
Com este humilde post só quero desejar-lhe felicidades neste novo ciclo que agora inicia: Boa sorte Zé!
Eu e o Zé viciados no Bingo...claro que ele tinha mais sorte, estava abençoado!!
O Zé no nosso meio...

sexta-feira, julho 07, 2006

Eu prometo que depois apago este post...

O Deus... o Antigo Testamento...




O Novo Testamento... o seu Primogénito...o Messias que estava para vir!



Apresento-vos Mickael Carreira!




Nota: no site onde fui buscar esta relíquia de imagem...que por acaso se encontrava em grande destaque... parece que consegui "encontrar", em letras quase imperceptíveis, "David Fonseca prepara-se para lançar a 10 de Julho o seu novo single, intitulado «Our Hearts Will Beat As One», tema-título do seu último disco."
Será que nunca ouviram falar em prioridades?

quinta-feira, julho 06, 2006

Está explicado...

Não fui eu que disse isto, mas concordo plenamente...


segunda-feira, julho 03, 2006

Mariano...

Este post era para ter sido escrito Domingo, mas só agora tive tempo de o fazer...
O fim-de-semana passado foi diferente do costume...continuou a ser marcado por um estudo que desgasta dia após dia as minhas células nervosas e me faz envelhecer de uma forma acelerada, mas teve uma presença diferente, a de um pequeno rapazito, reguila, o Mariano. É um bom exemplo de como é preciso ter sorte onde se nasce...e hoje sofre pela negligência familiar. Sofrer não sofre, porque vive na inconsciência feliz da pré-infância, mas é um pequeno ciganito de 3 anos e meio que sofre de um atraso psicomotor que o faz agir como uma criança de ano e meio, tudo porque nunca foi estimulado pelos pais, nunca teve carinho, nunca teve as pequenas brincadeiras que o fazem crescer, nunca experimentou o mundo. Até que um dia, por acção do tribunal, o Mariano foi retirado dos pais e entregue à APAC de Barcelos, vivendo agora no centro de acolhimento de menores dessa instituição e recebendo terapia por parte da minha irmã, com vista ao seu desenvolvimento psicomotor, numa tentativa de minorar os efeitos deste atraso no futuro próximo da criança. Dentro desse âmbito, a minha decidiu trazê-lo a Matosinhos, para passar um fim-de-semana diferente, com pessoas diferentes e experiências novas.
Mas que criança encantadora. Nota-se perfeitamente as feições ciganas...pelo menos anda sempre com aquele ar robusto, que esconde a sua fragilidade num ar de "mau" com o prócero e o corrugador supraciliar contraídos...mas que rapidamente, em cada laivo de felicidade por cada brincadeira que se assume uma novidade, se desfaz num sorriso mágico de uma criança que dá os primeiros passos num mundo novo por descobrir. Raramente chora (talvez a vida o vai ensinando a ser forte) e quando se magoa fica a olhar para o sítio do "doi-doi" e esconde naquele ar valente a dor que sente. Até pensei que tivesse um gene que fabricasse Xanax ou Prozac, porque andava sempre bem disposto e mesmo depois de ralhar-mos com ele, respondia-nos sempre com um sorriso que acabava por vencer a nossa ira. Foi tão bom subir até ele (digo subir porque não tenho a dignidade que ele tem) e brincar, correr, saltar, ajudá-lo a descobrir o mundo em pequenos gestos e deixar-me conquistar pelo brilho dele ao ligar um interruptor, ao abrir uma torneira, ao pintar, ao dançar. Mas a melhor experiência, aconteceu Sábado á noite.
Chegava de um churrasco, por volta da 0:45 e encontrei a minha irmã no sofá a ver um filme e muito mal-disposta...parece que a emoção do jogo Portugal-Holanda lhe fez parar a digestão e não conseguia dormir. O Mariano dormia com ela, mas nessa noite vi que ela precisava de um bom descanso e ofereci-me para dormir com ele (sabem como são os putos, dão pontapés e mexem-se para todos os lados). Quando cheguei ao quarto dela, o Mariano estava muito agitado, contorcia-se todo e batia com a cabeça no estrado da cama...presumi que estivesse a ter um pesadelo e tive de o acordar para ele se acalmar. Resultado: desatou a chorar...foi triste ver aquele rapaz robusto e valente naquela angústia...tão frágil. Confesso que não sabia o que fazer, até que por instinto, deitei-o por cima do meu peito, deixei-o arragar o meu polegar...comecei a cantar para ver se o acalmava (pelo menos é o que as mães fazem aos filhos, certo?). "O silêncio deixa-me ileso e que importância tem...". Não sei porquê, foi a primeira música que me veio à cabeça e parece que resultou. Rapidamente, o pequeno Mariano acalmou, adormeceu...sempre agarrado ao meu polegar. Talvez em mim, ele tenha encontrado protecção para aquele momento...e eu, que vinha de uma noite difícil, para esquecer, encontrei na ternura daquele "pequeno valente", daquele momento, um conforto que também me acalmou. Adormeci...a última imagem de que me lembro foi a dele a dormir, tranquilo, sereno. Deu pontapés de noite? Mexeu-se? Não senti nada...e que bom foi ter sido acordado por ele na manhã seguinte e ver o seu sorriso, mesmo de quem estava pronto e cheio de energia para mais um dia de descoberta.
Passou um dia, mas já tenho saudades dele. Anseio o dia em que ele volte...para voltar a aprender com ele.
Obrigado Mariano...

quarta-feira, junho 28, 2006

Música de embalar...

É raro haver uma noite em que me deite, sem antes ouvir uma música...sim, porque os graúdos também gostam de músicas de embalar! Hoje, eis a contemplada...


Hawkmoon 269 - U2


Like a desert needs rain
Like a town needs a name
I need your love.


Like a drifter needs a room
Hawkmoon
I need your love.
I need your love.


Like a rhythm unbroken
Like drums in the night
Like sweet soul music
Like sunlight
I need your love.


Like coming home
And you don't know where you've been
Like black coffee
Like nicotine
I need your love,
I need your love.


When the night has no end
And the day yet to begin
As the room spins around
I need your love
I need your love.


Like a Phoenix rising needs a holy tree
Like the sweet revenge
Of a bitter enemy
I need your love.


Like heat needs the sun
Like honey on her tongue
Like the muzzle of a gun
Like oxygen
I need your love,
I need your love.


When the night has no end
And the day yet to begin
As the room spins around
I need your love
I need your love.


Like thunder needs rain
Like a preacher needs pain
Like tongues of flame
Like a sweet stain
Need your love
I need your love.


Like a needle needs a vein
Like someone to blame
Like a thought unchained
Like a runaway train
Need your love,
I need your love.
Need your love
I need your love.


Like faith needs a doubt
Like a freeway out
Need your love.


Like powder needs a spark
Like lies need the dark
I need your love.

segunda-feira, junho 26, 2006

Origens...

À medida que vou crescendo, um súbito interesse de conhecer um pouco mais a história da minha família vai surgindo...e é por isso que me sabe tão bem almoçar com os meus avós maternos. Têm sempre uma história, uma peripécia diferente para contar. Hoje, com saudades desses almoços e também com alguma preguiça de cozinhar à mistura, decidi ir almoçar com eles. Conversa daqui, conversa d'acolá...lá veio mais uma história. Desta vez, coube ao meu avô dar-me a conhecer um pouco mais do meu bisavô Nora (que Deus o tenha), seu sogro. Nunca ouvi um homem falar tão bem do seu sogro, "um homem de coração, sempre pronto a dar mesmo quando não o tinha, um segundo pai". Pelo que ouvi, o meu bisavô Nora era um mestre de pesca, chefe de uma pequenita embarcação, com uma vida dura e incerta, como a de qualquer pescador...mas era a única forma de conseguir com que a família pudesse ter sempre o tão desejado alimento, não interessa se era peixe ou não, apenas alimento. Era casado com a minha bisavó Cândida, que ainda viveu durante os meus primeiros anos de vida, mas que da qual já não me restam muitas recordações, a não ser estas pequenitas memórias que me vão contando. Inflamado com tanta saudade e tanta admiração, o meu avô Zé contou-me a seguinte história:
" Um dia, o teu bisavô Nora acabava de chegar a casa, de manhã cedo, depois de uma longa noite de pescaria e foi para a cozinha comer qualquer coisa. A tua bisavó Cândida, sempre muito dedicada, foi arrumar-lhe as coisas que ele , fatigadamente, deixara à porta e reparou que lhe faltava o casaco castanho com que costumava andar. Perguntou-lhe:
- Oh home, onde deixaste o teu casaco castanho? Não me digas que o perdeste...
- Oh mulher, não sei, devo tê-lo deixado pousado em algum lado.
E o diálogo, ficara por aqui.
Entretanto, o teu bisavô voltou a sair para a lota, para fazer o balanço da pescaria e tratar da distribuição do peixe...e já quando não se encontrava em casa, bateu à porta um pescador, possivelmente da sua embarcação. A tua bisavó Cândida foi abrir-lhe a porta e para seu espanto viu esse tal pescador com o casaco castanho do marido. O homem disse-lhe:
- Minha senhora, peço desculpa vir incomodá-la...mas vim trazer os 50 escudos que estavam no bolso do casaco que o mestre Nora me deu esta noite, quando eu me sentia com muito frio, sem forças e meio adoentado durante a pescaria."
Perante isto, não deixo de ficar orgulhoso pelas minhas origens...é gente humilde, mas que mesmo não estando vivas, me vão dando pequenas lições. Sem dúvida, que a minha família actual é o espelho vivo do que esses meus familiares foram...e ainda bem que assim é.
Só espero um dia também vir a ser como eles eram.

quarta-feira, junho 14, 2006

Dia Nacional da Luta Contra a Dor...

Dor...acredito que este seja o tema que mais preocupa a Humanidade, mais até do que a própria morte. A morte é algo para o qual caminhamos inexoravelmente, não há volta a dar e acredito que o Homem já se resignou a esse facto, embora ainda persistam alguns valentes que querem ver os seus cadáveres congelados à espera de um milagre da medicina que os faça voltar à vida no futuro...enfim. Mas a dor é algo que se vive enquanto vivos e não há nada que nos consiga provocar pior sensação.
Penso que não existe forma de explicar a dor...podia tentar entrar pelos caminhos enevoados da Fisiologia e encerrar a dor num mecanismo puramente orgânico, mas considero que a dor é muito mais do que um processo fisológico, é uma realidade com tantas dimensões que a tornam tão subjectiva. É verdade que é o nosso corpo que a sente, ele é o veículo que a dor utiliza para se expressar, mas expressa-se de formas tão diferentes que me faz pensar se haverá apenas um tipo de dor ou vários. Parece óbvio que a dor sentimental tem para nós um peso diferente da dor física e já tentei reflectir qual delas será a pior...caramba, será pior ver um marido, um pai, uma mãe, um filho falecerem, ou viver permanentemente preso a uma cama, perfeitamente consciente da agonia que o seu corpo vive e saber que se caminha a passos largos para um fim inevitável? Em ambos os casos se sofre no corpo...e em ambos os casos se sofre na alma. No segundo caso, o aperto no coração que se sente é a dor da alma, da pessoa, do ser que move um corpo. No primeiro caso, a dor do corpo torna-se muitas vezes a dor da alma, quando se sente que esta vai perdendo a força para manter o corpo vivo, e quando muitas vezes se consegue atenuar a dor do corpo, com todo o tipo de analgésicos, a dor da alma persiste através da consciência de que aquele estado de efémero conforto é passageiro, apenas o abafar do grito do corpo.
Mas talvez, tudo o que estou para aqui a dizer não passam de balelas, de uma filosofia barata...quem sou eu para falar da dor? Terei porventura vivido alguma situação em que a dor me tenha dilacerado, me tenha feito atravessar alguma experiência que me permitisse falar dela? Não sei...acredito que já tenha sofrido...e sofri...já senti dor, só não sei se ao ponto de me sentir em total agonia. Não...a dor que senti, em nada se compara à dor de muita gente! Perante essas pessoas, esses super-ser-humanos que continuam a viver e a sorrir, sou um miserável quando me queixo de uma pequena dor que a minha alma ou o meu corpo sentem, talvez esteja a precisar de uma boa lição. Mas não terei eu também o direito ao meu sofrimento...tenho sim...mas são talvez essas pessoas que me dão a maior lição que alguma vez poderia ter e muitas vezes é o sorriso delas, que vencendo o seu próprio sofrimento, me ajuda também a vencer o meu.
Perante isto, não consigo deixar de pensar no que farei para o resto da minha vida...como futuro médico, sei que serei o companheiro de viagem nas estradas da dor de muitas pessoas, serei tão pequeno perante essa dimensão...só espero, quando nada mais restar, conseguir sorrir a quem sofre e mostrar a essas pessoas que aprendi bem a lição que me foram ensinando.
Em jeito de conclusão, sabendo que não a podemos evitar, que a dor seja algo muito pouco presente na vossa vida e quando a sentirem, pintem um bonito quadro sobre ela!

quarta-feira, junho 07, 2006

Ensaio mórbido...Ensaio vivo...

Ontem, tive a aula de Anatomia mais interessante do ano, não pela parte da Miologia que foi dada, até porque estudar os músculos do antebraço é das partes mais difíceis da Miologia, mas pelo simples facto de termos feito esse estudo em contacto directo com peças cadavéricas. Muitos de vocês dirão: "Que nojo...". É verdade, em parte foi. Não deixa de ser estranho ver cortes de ombros e braços impregnados de formol, com alguma decomposição evidente, mas também não deixou de ser fascinante desmistificar o que a nossa pele recobre. Nos livros as imagens são tão perfeitas, tão claras...e ali tudo se torna mais difícil, tudo nos parece igual e só se consegue distinguir uma massa muscular única de onde partem imensos tendões, que supostamente têm origem em músculos distindos. Mas a coisa lá se vai tornando clara e aquilo a que chamam "olho clínico" lá se vai apurando e é nessa altura que nos "deixamos lebar pelas emoções" e pela beleza e perfeição do nosso corpo.
No entanto, o meu pensamenton não esteve apenas focado na ciência e não consegui deixar de pensar no corpo, como uma dimensão da vida. A partir de certo ponto, vocês começam a olhar para as peças apenas como um instrumento de estudo, como se não houvesse qualquer vida a elas inerente, e na verdade não há. Mas também começam a pensar que aquele corpo pertenceu a alguém...começam a imaginar se era homem ou mulher, se era branco ou negro, se era alto ou baixo...e surge uma enorme curiosidade em saber quem o habitou e de que modo aquele corpo foi utilizado...se para fazer o bem, se para fazer o mal. Dizem-nos que aquelas peças cadavéricas correspondem a partes do corpo de gente pobre, gente de identidade desconhecida, gente cujo corpo não foi reclamado após a morte...e vocês agora pensam: "Mas que falta de dignidade!" Será? Fazem-se os funerais, a última despedida, cheios de pompa e circunstância, veste-se o cadáver a que insistentemente chamam de pessoa, para o fechar num caixão coberto de terra e esperar que os primeiros decompositores da cadeia trófica, reciclem a matéria orgânica até permanecerem uns vestígios de cálcio. Chamam a isto dignidade? Acho que não...Acredito que o cadáver formolizado que esteve perante os meus olhos tinha mais dignidade, pelo simples facto de ter servido para que alguém tivesse aprendido um pouco mais sobre aquilo a que chamam a "máquina perfeita", por ter servido para a aquisição de um conhecimento académico fundamental para aquilo que será a vida profissional de algumas pessoas. Não teve direito a lápide, não teve direito a flores, mas ensinou, deixou-se estudar...o conhecimento deu-lhe dignidade. Acredito que a minha sensibilidade esteja um pouco fria e verde nesta matéria...talvez porque nunca tive de enfrentar a morte de um familiar muito querido ou de um amigo e acredito que talvez aí a minha opinião mude e o funeral se torne algo realmente importante para mim. Até lá permaneço na minha imaturidade.
Mas voltando a olhar para a dimensão do corpo...cada vez mais tenho a convicção de que existe uma alma que o move. Por mais perfeito que o cérebro seja, é impossível que funcione sem uma alma que lhe dê vida. Não acredito, ponto! Vou passar 6 anos da minha vida totalmente absorvido pela tentativa de conhecer um corpo e formas de reparar as suas avarias...mas o que será feito da minha alma? Ou melhor, de que forma a minha alma comandará o meu corpo e sendo a minha alma eu próprio, de que forma utilizarei este instrumento que Deus me deu? Dizem que a Medicina é uma profissão nobre...para quê estudar um copro que sem uma alma não é nada? Se o corpo morrer a alma vive! No entanto, é através do corpo que a nossa alma, que cada um de vós, exerce a sua acção, é através do corpo que vocês se tornam palpáveis, gnosíveis, é através de um corpo que memorizamos alguém...e quando lembramos alguém, a imagem que fica é a imagem do corpo. É através do corpo que a alma pode sentir as melhores sensações: o cheiro, o gosto, o som, a intensidade de um beijo, de uma relação sexual onde dois corpos se unem...mas também as piores sensações como a dor, a fome, a agonia. Acho que sem a dimensão do corpo a nossa alma não poderia crescer...são estas sensações que ajudam ao nosso crescimento, sensações que nos ajudam a apaixonar pelas pequenas coisas da vida, mas também a perceber a importância da dor. É na alma que me torno pessoa, aliás, a minha pessoa é a minha alma...é a minha alma que aprende a amar, é a minha alma que aprende a perdoar, é a minha alma que aprende a conviver, é a minha alma que aprende a sofrer...é a minha alma que aprende a viver. Mas é através do corpo que ela se manifesta e é o corpo que lhe dá o prémio do seu bom comportamento: quando amamos, o corpo dá-nos a óptima sensação desse sentimento...mas também nos pode castigar quando algo na nossa alma não está correcto e é aí que sentimos a dor. No entanto, há dores físicas que são injustas...dores que a nossa alma não merece sofrer...aquilo a que chamamos doença. Acredito que o papel do médico seja este: uma ajuda para o fim da dor injusta que a alma sofre.
Comecei por dizer que o corpo era morte...mas agora termino a dizer que o corpo é vida, a manifestação visível da nossa alma. Cuidem da vossa alma, cresçam, amem, deixem que o vosso corpo vos premeie...mas também cuidem dele, lembrem-se que a vossa alma vive através dele, lembrem-se que vocês vivem através dele! Ele é a imagem que as pessoas guardarão de vocês...ele é a imagem que a vossa alma quiser. Será o corpo capaz de manifestar a beleza da vossa alma? Sim, mais do que a beleza que a natureza vos programou.
Nessa aula de Anatomia sinto que o meu conheimento cresceu (ou então não, porque já não me lembro de muita coisa), mas sinto também que a minha alma cresceu...que cresci.

Curioso...vejam como comecei com um enasio sobre a morte...e acabei com um ensaio sobre a vida! É assim que tem de ser...

sexta-feira, junho 02, 2006

Dia da Criança...

Ontem, como todos vocês sabem foi o dia da criança...eu por acaso não sabia e só percebi quando vi que todas as escolas do Porto decidiram trazer os seus meninos á rua! Acho que os miúdos até podiam fazer como os "grandulas" fazem nos cortejos académicos: "in...in...invasão, in...in...invasão!". Mas, completamente à parte de toda esta circunstância, lá fui eu mais um grupo de belos amigos almoçar à Reitoria da UP e quando saímos, como ainda era cedo para irmos para a aula de Microbiologia, decidimos ir dar uma volta ao Palácio de Cristal. Para nosso espanto, não é que estava lá um grande parque temático do Noddy?! Pensei para mim que da mesma forma que há uma DisneyLand Paris, podia haver uma NoddyLand Porto, lá estou eu a divagar! No meio de todos aqueles insufláveis e de "barraquinhas" onde não se vendiam shots mas via-se o grande DVD do Noddy, só nos apetecia cantarolar como as crianças: "Abram alas para o Noddy, NODDY!!!". Prosseguindo o nosso caminho, passamos por uma zona onde umas crianças almoçavam e agora o momento alto da tarde, eis que surge uma "sopeirita" com os seus 10 ou 11 anitos que se dirige a mim com uma embalagem de Compal de 1l, daquelas que tem uma rolhita branca e me pede com toda a gentileza: "Oh mo(a)ço, oh mo(a)ço, abre-me aí o pacote que eu não consigo!" (Coloquem um pouco de malícia nesta frase e aproveitando uma indirecta a uma certa pessoa: "perceberam?"). E como é óbvio, não ia rejeitar um favor a uma menina de 10 ou 11 anitos...tenho a certeza que ontem fui o herói dela! A modos que é isto, meus amigos...

sexta-feira, maio 26, 2006

Finalmente...

Depois de muita insistência por parte dos leitores deste cantinho...e também depois de algum desleixo da minha parte, um desleixo a que eu chamo "muito trabalho", aqui vão alguns momentos desta minha primeira Queima das Fitas. Não há muito a comentar, acho que as imagens podem falar por si!

Biomédicas...azul e amarelo!!!




Rasguei pouquinho...ups, está a ver-se branco!


Eu e o Tó! "Se for preciso construímos nós!!"


O meu padrinho, Luís :)

Obrigado Biomédicas...obrigado Porto!!




terça-feira, maio 16, 2006

Este homem é o maior...



Chama-se Bono...é um homem como todos os outros...mas ao contrário de muitos, oferece a sua fama em prol de uma luta que parece interminável!

sábado, abril 29, 2006

Pearl Jam

Dia 5 de Setembro lá estarei...
















o bilhete já cá canta...tal como eles!
Que piada...eis uma bela forma de estragar aquilo que poderia dar um belo post...

terça-feira, abril 25, 2006

Please...

So you never knew love
Until you crossed the line of grace.
And you never felt wanted
Till you'd someone slap your face.
So you never felt alive
Until you'd almost wasted away.

You had to win, you couldn't just pass
The smartest ass at the top of the class
Your flying colours, your family tree
And all your lessons in history.

Please, please, please
Get up off your knees.
Please, please, please, please, oh yeah.

And you never knew how low you'd stoop
To make that call
And you never knew what was on the ground
Till they made you crawl.
So you never knew that the heaven
You keep you stole.

Your Catholic blues, your convent shoes,
Your stick-on tattoos now they're making the news
Your holy war, your northern star
Your sermon on the mount from the boot of your car.

Please, please, please
Get up off your knees.
Please, please, please
Leave me out of this, please.

So love is hard
And love is tough
But love is not
What you're thinking of.

September, streets capsizing
Spilling over down the drains
Shard of glass, splinters like rain
But you could only feel your own pain.

October, talk getting nowhere.
November, December; remember
We just started again.

Please, please, please
Get up off your knees, yeah.
Please, please, please, please, ah.

So love is big
Is bigger than us.
But love is not
What you're thinking of.
It's what lovers deal
It's what lovers steal
You know I've found it
Hard to receive
'Cause you, my love
I could never believe.

U2 - "Please"

Procuro-te...diz-me onde estás...
Preciso de voltar a cair na profundidade de um olhar,
Preciso de voltar a sentir a veludez e o sabor de uns lábios, preciso de um beijo,
Preciso de voltar a sentir o calor de uns braços, sentir-me protegido,
Preciso de voltar a sentir a suavidade e o aroma de uma pele,
Preciso de voltar a perder-me na frescura de uns cabelos,
Preciso de voltar a envolver-me na magia de um sorriso,
Preciso de voltar a seduzir-me pelas formas de um corpo,
Preciso de ti, onde estás?
Se eu não conseguir encontrar-te...faz com que eu te encontre...

Procura-me..."please"...

sábado, abril 22, 2006

Querem melhor definição?


"Mas entendo que a medicina é, volto a dizê-lo, uma ciência e uma arte tão fascinante, tão complexa, tão eternamente incompleta, que não é hoje, como nunca foi no passado, propriedade exclusiva dos seus artífices. Ela é, de facto, na sua raiz, uma construção de profissionais - e eles são cada vez mais diversos na tipologia da sua intervenção nos actos de diagnosticar, tratar, prever, prevenir, consolar, inventar ou descobrir -, mas exige a participação não só daqueles que solicitam a sua intervenção num instante de necessidade, mas de todos os outros que sobre ela se debruçam por razões que vão desde a filantropia à simples curiosidade, e a quem o saber electrónico deu um fôlego impensável há poucos anos atrás. É a realidade da nova ciência médica e da expressão holística que a modernidade forçou a adquirir que é, no fundo, o tema central deste volume." João Lobo Antunes, in " Sobre a Mão e Outros Ensaios".
Este livro promete...e não consegui deixar de sentir algo diferente, quando li este pequeno parágrafo, afinal espero daqui a uns anos poder nele inserir-me...

segunda-feira, abril 17, 2006

Gralhas...

Tenho uma casita neste paraíso "agreste"...onde sentimos a nossa pequenez humana e ficamos rendidos à força e beleza da Natureza! Com as nuvens a tapar a serra do Larouco, uma daquelas casitas é minha...um dos melhores sítios para se "desrotinar"...

quinta-feira, abril 13, 2006

I'm back...

Lá fui eu "desrotinar" para o Retiro...



E já cheguei...

sábado, abril 08, 2006

Férias...

Eu sei que sou um baldas...porque apesar de as aulas acabarem só na quarta, já estou de férias! Motivo? Ouvi dizer que amanhã vou para Vieira do Minho fazer quatro dias de Retiro. Espero que valha a pena...confesso que a vontade não é grande, mas pode ser que por lá este sentimento mude! Portanto, aqui vou eu...

quarta-feira, abril 05, 2006

Esta vai doer...

É hoje...dia 5 de Abril, às 17h, começa a saga de avaliação a Anatomia! Vamos lá ver como corre...

domingo, março 26, 2006

Momento inesquecível...

"Sob o brilho acizentado de um dia frio de Inverno, reparei que o seu lábio inferior tremia. Com o meu acontecia o mesmo, e percebi subitamente que o meu coração estava a acelerar. Olhei-a nos olhos, sorrindo com toda a emoção que conseguia reunir, sabendo que não conseguia manter as palavras dentro de mim por mais tempo.
- Amo-te Jamie - disse-lhe - És a melhor coisa que já me aconteceu.
Era a primeira vez que dizia aquelas palavras a alguém.Quando imaginava pronunciá-las pensava sempre que iria ser difícil, mas não foi. Nunca antes tivera tanta certeza de qualquer coisa.
Mal disse aquelas palavras, porém, Jamie baixou a cabeça e começou a chorar, encostando o seu corpo ao meu. Envolvi-a nos meus braços, perguntando-me o que se passava. Ela estava magra e percebi, pela primeira vez, que os meus braços a envolviam completamente. Tinha emagrecido, mesmo na última semana e meia, e lembrei-me que mal tocara na sua comida naquele dia. Continuou a chorar encostada ao meu peito durante o que me pareceu muito tempo. Não sabia bem o que pensar, ou até se ela sentia o mesmo que eu. Ainda assim, não lamentei as minhas palavras. A verdade é sempre a verdade e tinha acabado de lhe prometer que nunca mais lhe mentiria.
- Por favor, não digas isso - disse-me ela. - Por favor...
- Mas é verdade - contrapus, pensando que ela não acreditara em mim.
Começou a chorar ainda mais. - Desculpa - sussurrou-me entre soluços rasgados. - Peço imensa desculpa...
Senti a garganta secar de repente.
- Porque é que pedes desculpa? - perguntei, subitamente ansioso por perceber o que estava a incomodá-la. - É por causa dos meus amigos e do que eles vão dizer? Já não me importo com isso, a sério que não. - Apegava-me a qualquer coisa, confuso e com medo.
Passou-se outro longo momento até ela deixar de chorar. Por fim, ergueu os olhos para mim. Beijou-me suavemente, quase como a respiração de um transeunte na rua de uma cidade, depois passou o dedo pela minha face.
- Não podes estar apaixonado por mim Landon - disse ela de olhos vermelhos e inchados. - Podemos ser amigos, podemos encontrar-nos...Mas não podes amar-me.
- Por que não? - gritei roucamente, não percebendo nada daquilo.
Porque - disse ela, por fim, baixinho - estou muito doente, Landon.
A ideia era-me tão absolutamente estranha que não conseguia compreender o que ela estava a tentar dizer.
- E depois? Daqui a alguns dias...
Um sorriso triste atravessou-lhe o rosto e soube imediatamente o que ela estava a tentar dizer-me. Os seus olhos nunca deixaram os meus quando, finalmente, disse as palavras que me entorpeceram a alma.
- Estou a morrer, Landon"
Leiam o livro...talvez aí percebam a força deste "Momento Inesquecível"...para mim foi sem dúvida um "momento inesquecível" ler este livro..."Um livro. À primeira vista pode não parecer nada de especial e de original. E realmente não é original, mas o especial deste livro supera a falta de originalidade."

segunda-feira, março 20, 2006

Verídico...

Meus amigos, tenho uma bela história para vos contar, que teve lugar no hospital de Viana do Castelo, essa bela localidade. Já passava das 22h, quando uma senhora entra nas urgências desse hospital com um cão, pastor alemão, ao colo com as patas presas na sua cintura e com a saia um pouco levantada. Imagino, que já estejam a pensar o porquê de posição tão pouco ortodoxa...pois, é isso mesmo que vocês estão a pensar! Dizem que o cão é o melhor amigo do homem e sem dúvida que aquele pastor alemão era o melhor amigo daquela senhora, suponho eu. Deixando-me de rodeios, vou directo ao assunto...a senhora lá sentiu necessidade de dar um pouco de colorido à sua vida sexual, "gostava de ter sempre as suas relações sexuais", e nada melhor para uma experiência mais arrojada do que a companhia de um cão, ainda para mais com a corpulência de um pastor alemão! E agora, o porquê de ela ter aparecido muito atrapalhada nas urgências...quando o casemiro do cão penetra na cadela, incha para que possa permanecer no interior da cadela durante a totalidade da ejaculação sem que a cadela "fuja", sem dúvida uma forma muito eficaz de garantir uma boa prol. O verdadeiro problema, que para o cão não é problema nenhum, é que o inchaço ainda leva algum tempo a desaparecer e portanto, a senhora lá ficou com o seu pastor alemão a ela acoplado, sem o conseguir tirar. No meio da atrapalhação lá recorreu ao hospital, a pensar que perante a situação caricata seria logo assistida. Mas na verdade, não deixa de ser uma paciente como os outros e também como o problema não era "grave", a senhora foi castigada pelos médicos e enfermeiros daquele hospital e ficou à espera de consulta, juntamente com todos os outros pacientes, na sala de espera do hospital. Pode ser que desta vez tenha aprendido...e resta-nos esperar para ver se vamos ter um "homo sapiens caninus"!

sexta-feira, março 17, 2006

Traje...

Pois é meus amigos...hoje fui encomendar o meu traje académico! Foi sem dúvida algo muito marcante, arrepiei-me diante do espelho enquanto o experimentava. A sensação de saber que estou na faculdade, a sensação de viver um espírito académico...a sensação de poder defender as cores da casa que me acolheu, o Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, é algo difícil de descrever e um incentivo para pensar que todo este esforço vale a pena!
Mas nem tudo foi solene...também houve peripécias engraçadas, desde a senhora que me estava a atender abrir repentinamente, sem avisar, a cortina do compartimento de prova enquanto eu estava de tronco nu e calças do traje desapertadas e em seguida, já completamente trajado, elogia-me, dizendo: "Está um verdadeiro galã", o que torna tudo muito mais suspeito tendo em conta o que se tinha sucedido previamente. Mas meus amigos, modéstia à parte, de traje fico mesmo mas mesmo jeitoso:p

sexta-feira, março 10, 2006

Adeus...

18:30...entro nos corredores do Hospital de S. João. Ambiente doentio, escuro, com uma frieza tanatológica que contrastava com a luz de uma esperança incessante de quem tenta vencer com a vida. Subo ao piso 5, ala da Cirurgia e numa pequena sala, de luz apagada, prostrava-se um homem a dormir, a repousar de uma luta diária contra o Cancro. Respirava fundo, como se cada expiração fosse um pequeno sopro que aos poucos se vai tornando mais frágil, mais ténue, como que numa despedia gradual, lenta. Até que os seus olhos se abriram, iluminando todo aquele espaço, escapando também um sorriso de uma profunda gratidão pela nossa presença, pela nossa companhia naquele momento. Uma voz cansada saía daquele corpo magro, desgastado pela quimioterapia, onde a barriga volumosa reflectia os estragos, os efeitos de tão insuportável tratamento. Mas era uma voz cheia de esperança, uma voz firme que pela luta do momento se tornava poética: "Os 2 meses que o médico me deu estão a chegar ao fim, mas eu não acredito e vou continuar a lutar cada dia que passa". Parecem palavras banais, mas são a única vitória possível numa luta tão desigual, tão injusta. E os seus olhos raiados, cansados, negros, reflectiam tanta tranquilidade, tanta calma, como se a mão de Deus lhe estivesse estendida e ele a tocar-lhe com a ponta do dedo, apenas para sentir a Sua presença, para não se sentir "só" nesta batalha que se aproxima inexoravelmente do seu fim. E depois de uma longa conversa, despediu-se: "Nunca se esqueçam de que gosto imenso de vocês e só queria ter estado mais presente na vossa vida...". Beijei-o, libertei-lhe um último sorriso, um último olhar e apesar do "até á próxima", sinto que foi a última vez que o vi...
Adeus...até já...

quinta-feira, março 09, 2006

À terceira é de vez...

Passei no exame de condução!!

domingo, março 05, 2006

Quem ouve até parece outra coisa...

Que a malta do ICBAS é mais porreira que existe, não é novidade para ninguém, mas que por vezes têm conversas estranhas...lá isso têm. Nessa virtuosa faculdade, existe muito estudante de fora da cidade do Porto que, ou diariamente ou semanalmente, fazem viagens de comboio para a sua terra natal. Por vezes, dou por mim a ouvir as conversas deles acerca das deslocações e se não soubesse do tema do conversa, acharia no mínimo...estranho:
- Ah, eu gosto de apanhar em São Bento...fica mais à mão e mais perto de casa. Se possível, à Sexta apanho sempre às 15h...
- Ah, eu não, à Sexta é bem melhor apanhar às 17:15, não é tão em cima, não se tem tanta pressa e dá mais tempo para deixar tudo arrumado.
- Vocês é que têm sorte em poderem apanhar em S. Bento...eu tenho de apanhar sempre em Campanhã...vocês pelo menos apanham sempre perto da faculdade.
- Eu nunca apanho à Sexta...deixo-me sempre ficar por cá e prefiro apanhar no Sábado logo pela manhazinha, não é tão cansativo e a viagem não é assim tão longa para ter de apanhar logo na Sexta!
Enfim...eu sei que estou a ser mauzinho...mas digam lá se não nos induz em erro?

quinta-feira, março 02, 2006

Pequena lição...

Ontem, por volta das 17:30, quando regressava a casa depois de um dia de aulas, no Metro, tive uma pequena lição, bem mais valiosa do que qualquer uma das aulas desse dia. Quando o Metro parou na estação do Estádio do Mar, no meio da azáfama daquela hora, vi uma rapariga cega a sair nessa estação, mesmo à frente do banco onde estava sentado, acompanhada pelo seu cão guia. Enquanto preparava para sair, o cão, um bonito labrador preto, parou à minha beira e farejou-me antes de se dirigir para a porta de saída e enquanto me olhou com aquele ar dócil, típico desses cães, a rapariga disse: "Vamos amigo, sê os meus olhos e leva-nos para casa". Só consegui esboçar um sorriso e passar a mão pelo dorso daquele cão, numa espécie de agradecimento por aquele momento. A união entre ele e a rapariga era tão genuína ao ponto de ela lhe entregar a vida, lhe entregar a confiança de quem procura uns olhos que a guie, uma união ao ponto de ela carinhosamente lhe chamar de amigo. E eu só conseguia pensar: "Oxalá um dia, eu também consiga ajudar desta maneira quem puser a sua vida nas minhas mãos." E numa fracção de segundos, aprendi uma pequena lição...qual Anatomia, qual Fisiologia, qual Química Biológica...basta-nos estar no sítio certo e dispormo-nos a aprender com estes pequenos momentos que acontecem a toda a hora!

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Treinador de bancada...

No telejornal da RTP1, o Professor Doutor Júlio Machado Vaz (de quem eu sou um admirador), no âmbito do jogo Benfica-Porto, teve a seguinte observação na entrevista que lhe foi feita: "Uma relação sexual, com as respectivas esposas, na noite que antecede o jogo, não afecta minimamente o rendimento do jogador, pelo contrário, até o melhora. No intervalo do jogo é que não é aconselhável, mas na noite que se segue depois da partida, é novamente aconselhável, sendo algo extremamente benéfico, nem que seja de prémio pela vitória ou de consolo na derrota!"
Meus amigos, isto é que dava um grande treinador, um treinador que zela pelos interesses dos seus jogadores! Na verdade, eu nunca percebi a dinâmica dos estágios e sempre me questionei da sua verdadeira intenção...até porque os jogadores dormem no mesmo quarto, dois a dois! Enfim, mais não digo a não ser que a medicina ganhou um grande homem, mas o futebol perdeu um grande treinador!

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

O que uma tarde sem aulas faz...

Por volta das 16:30, enquanto fazia um extenso zapping pelos riquíssimos 4 canais genéricos da nossa televisão nacional, fui dar com um programa, na SIC, onde uma das apresentadoras perguntava a uma imigrante africana, que agora reside em Portugal, "o que Portugal tinha que a prendia por cá". Resposta: "O país é uma maravilha, as pessoas são uma maravilha, a comida é uma maravilha...é tudo uma maravilha".
Pensei para mim..."caramba, o Maurício, esse vulto da nossa audiopornografria, mudou mesmo a vida de muita gente!" Acho que, finalmente, vi uma das personagens de tão viruosa história, uma das musas de Maurício...passei da fantasia e imaginação para a imagem real e a cores!! A modos que é isto...esta tarde mudou a minha vida, foi uma maravilha!
Ahh...hoje comecei o novo semestre...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Férias...

Talvez por ser um momento raro de descontracção, nestes últimos meses, decidi partilhá-lo convosco...hoje acabou definitivamente o primeiro semestre deste primeiro ano de curso, com a minha última frequência! A sensação é boa...e agora só penso em aproveitar esta semaninha de férias para descansar e recarregar as baterias para o novo semestre que aí vem. Toca a agarrá-lo com as duas mãos...e há-de correr bem! Até lá...simplesmente...pastar!

sábado, fevereiro 11, 2006

Ai Maria, Maria...

Acabei de ver uma reportagem no TOP+ com a Maria Vasconcelos...
Para além dos seus reconhecidos méritos na área da rádio e da medicina, há já algum tempo que se revelou numa nova área, a música.
E perante esta pessoa só consigo dizer...ou melhor...suspirar: "Quem me dera que fosse minha professora...!"
Claro que digo isto mais pelas suas capacidades intelectuais do que propriamente físicas...ok não fui muito convincente...
Ai Maria, Maria...olha, fica com os meus Parabéns pela tua carreira e continua assim booo...nita!!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Previsões eróticas...

Uma boa amiga minha(atenção, boa amiga é diferente de amiga boa, não se ponham a pensar em coisas) teve, em tempos, a liberdade de me enviar num mail, um horóscopo com as previsões eróticas para cada um dos signos. Como vou ter frequência hoje de tarde e estou com um pânico miudinho, para além de que preciso de levantar o meu ego, decidi voltar a ler a previsão para o meu signo e, já agora, partilhá-la connvosco, uma vez que é algo que me conforta...aqui vai...
Carneiro: "Como o Ariano tem disposição de sobra para o sexo, procura uma pessoa que seja ardente e ousada. Para agradá-lo, o melhor é entrar no clima e realizar suas vontades e fantasias. Os pontos eróticos são a Cabeça e o Pescoço. Lugares para transar: adora locais ousados, que tornam o sexo mais emocionante, como elevadores ou locais públicos."
Eu sei que isto faz de mim um tarado...mas conforta ou não conforta qualquer um? Se calhar não...
Só espero que o mundo feminino não se entusiasme muito com esta previsão...senão não vou aguentar com a perseguição atroz a que vou ser sujeito...
(Atenção, não estranhem alguns termos porque a fonte é brasileira...diz tudo, certo?)

quarta-feira, janeiro 25, 2006

O que dizer?

Hoje lá fiz o exame de Sociologia Médica. Digamos que foi um verdadeiro holocausto intelectual, enfim...talvez a época de recurso esteja à minha espera. E agora vocês perguntam: quais os temas abordados nessa cadeira? À semelhança de um post anterior, aqui vai mais um exemplo:
"O sexo extramatrimonial é comum em muitas sociedades: numa estimativa, cerca de 69% dos homens pratica sexo extraconjugal, enquanto que nas mulheres o valor reduz para os 57%. Interessante é verificar que 54% das mulheres permite este tipo de comportamentos ao seu cônjugue, enquanto que apenas 11% dos homens permitem que as mulheres façam o mesmo."
Meus amigos, o que dizer?...
Perante isto, nos dias que correm, a palavra "Fidelidade" parece ser uma utopia.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Half-Time...

E assim chega ao fim a primeira parte do meu ano académico...terminou o primeiro semestre e, já amanhã, começa o período de exames! Grande maratona que se avizinha...Genética Básica, Sociologia Médica, Biofísica, Química Biológica, Biologia Celular e Métodos Quantitativos...que medo! Como não sou o único...este post serve para desejar muito boa sorte a quem inicia este período de clausura e de verdadeira osmose com os livros e com o saber...ou então não. Espero que tudo vos corra pelo melhor...e que no fim possamos todos festejar!
Aqui vou eu...
(E nada de apreensão com a minha ausência neste cantinho...prometo que manter-vos-ei informados!...Ah, já me esquecia...se por acaso sucumbir no meio dos livros, digam à minha mãe que gosto muito dela:p)

terça-feira, janeiro 17, 2006

E é isto...

Depois de 2 meses e meio que compreenderam um período de pesquisa intensiva, de muitas horas de trabalho na recolha da "melhor" informação, de muitos encontros para se decidir a melhor estratégia de apresentação, de discussões em momentos de grande saturação e de algumas festas que ficaram para trás para que o trabalho fosse entregue a tempo...a minha turma, finalmente, apresentou o seminério de Biologia Celular sobre "Adesão e Mobilidade Celular" e no fim, comentário do regente da cadeira: "Um fracasso..." E é assim que vão correndo os meus dias no curso! Fico à espera de melhores dias...